
CORREIA, Rute Silva – O ano em que não ia haver Verão, Alfragide, Oficina do Livro, 2014
Sinopse: Gizela Espinosa é uma herdeira deslumbrante que acumula dinheiro e poder de sedução. Santiago é um artista interesseiro e dominador. Em Lisboa, toda a gente conhece os dois amantes. Quando o guitarrista Jonas Vasconcelos morre misteriosamente, um terrível segredo de família ameaça revelar-se e só a indiscreta Rosalina poderá, ou não, evitar um desfecho escandaloso.
Num diálogo de desencontros, as personagens deste romance urbano, decorrido na Lisboa dos dias de hoje, entram e saem das camas uns dos outros, do divã do psicólogo Raúl Veracruz e também de um obscuro clube secreto na Praça de Londres, onde máscaras e mentiras são os acessórios mais excitantes.
Opinião: O enredo da obra – fracamente apresentado – foca-se num triângulo amoroso incompreensível à maioria das personagens, no suicídio de um amante, e num segredo que se antevê. O desenvolvimento é aparente, pois a narrativa limita-se a focar na apresentação de uma variedade de personagens, das quais muito poucas seriam necessárias, e a enrolar-se em torno das mesmas situações e informações: motivo, também, para que a fragmentação do enquadramento temporal não seja desconcertante à leitura.
As personagens salientam-se, além do já referido, por uma apresentação tão puxada ao extremo e ao caricatural que se tornam ridículas. Dificilmente se poderá falar em “construção”, pois a maioria é mostrada ao leitor como tendo um número de características ou comportamentos chaves dos quais nunca se afasta: isto no caso de voltar a aparecer, e não ficar esquecida no respectivo capítulo.
Também a narração deixa uma impressão negativa. Depreende-se uma intenção de informalidade e irreverência, no entanto, revela-se antes como um conjunto de chavões, declarações sem sentido e, por vezes, roça a ofensa fácil no já muito batido.
Em suma, pareceu-me uma obra que se procurou arrojada, mas que de modo algum o conseguiu.