“O Legado de Eros”, VVAA

Eros

VVAA – O Legado de Eros, [s.l.], Fantasy&Co, 2013

Sinopse: Antologia (fantástica) de contos românticos e eróticos, com trabalhos dos escritores Carina Portugal, Carlos Silva, Inês Montenegro, Pedro Cipriano, Sara Farinha e Vitor Frazão.

 

Opinião: Publicada em 2013, a antologia reúne contos do que era então parte da equipa do Fantasy&Co. A temática, apesar do indicado na sinopse, prende-se mais com o romance que com o erótico. São seis os contos que perfazem a antologia, seguindo abaixo a opinião individual sobre cinco deles, visto que deixarei o meu próprio de fora.

“Rumo a Casa”, Sara Farinha: O enredo foca-se num momento de regresso a casa e de um pedido de perdão. Trata-se de um conto mais introspectivo, onde o núcleo seriam os sentimentos das personagens. Estas, todavia, são unidimensionais, reduzindo-se a sua função na história à materialização do sentimento do momento e falhando, por conseguinte, na empatia. É de notar a falha de pontuação nos diálogos, e também o final não causa surpresa, visto serem dados elementos ao longo da leitura que permitem ao leitor deduzi-lo. Destaca-se, pela positiva, a prosa aprazível.

“Carta para o Cosmos”, Carlos Silva: Mantendo-se na scifi, encontramos aqui uma mistura entre o sentimento e o artificial. O enredo é desenvolvido através de mensagens deixadas ao longo do tempo pela esposa ao marido astronauta, numa reformulação do epistolar. Apesar das emoções que se podem deduzir advir de tamanha situação, acaba por haver uma certa “mecanicidade” narrativa que as enfraquece. A reviravolta final dá uma nota de esperança onde já se esperava nada haver, ainda que se mantenham várias questões a lesar os protagonistas.

“Amor-Perfeito”, Vitor Frazão: O que inicialmente parece um lento romance de reencontro entre dois imortais desenvolve-se como um triângulo em que posse e desrespeito entram na equação. Uma boa escolha de tema e de questões a considerar, que no entanto teria beneficiado de maior desenvolvimento das relações entre as personagens.

“A Primavera”, Pedro Cipriano: Um dos muitos contos do autor que pertencem ao worldbuilding que durante anos esteve em desenvolvimento. Apesar de, sozinho, se poder valorizar a contribuição dada a novas perspectivas do referido worldbuilding, na totalidade torna-se cansativo, em particular por constantemente pegar no mesmo tema: os horrores da guerra.  Ressalta-se, apesar de deduzível, a ironia do final.

“Sementes de Fada”, Carina Portugal: O conto mais longo da antologia, trabalhando a fantasia com o romance. Inversamente à maioria dos restantes contos, que priorizam um momento, neste enredo temos uma maior sensação de princípio, meio e fim, tendo tido as personagens espaço para serem caracterizadas e amadurecer dentro da história. É possivelmente o conto melhor equilibrado da antologia. Considerei, contudo, a protagonista demasiado infantilizada no começo, em especial quando comparada ao que demonstra de si própria mais adiante. Também o final carece de uma maior claridade, deixando demasiado à uma interpretação dúbia.

 

A antologia pode ser lida gratuitamente aqui.

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