“Histórias do Fim da Rua”, Mário Zambujal

capa

ZAMBUJAL, Mário – Histórias do Fim da Rua, Lisboa, Quetzal, 1987

Sinopse: Depois do enorme sucesso de ‘Crónica dos Bons Malandros’ – 14 edições e uma adaptação ao cinema – Mário Zambujal regressa com ‘Histórias do Fim da Rua’, uma novela que decorre numa rua antiga de Lisboa, onde as histórias – divertidas ou dramáticas – dos seus moradores de sempre, se misturam com a história de Sérgio – perdão, Dr. Sérgio – e Nídia, sua mulher, habitantes recentes. A rua, tal como o casamento de Sérgio e Nídia, estão ameaçados. Novos planos urbanísticos num caso, a usura do tempo ou a rotina dos dias, no outro. num estilo ágil, aberto e amadurecido, Mário Zambujal leva o leitor a participar, a divertir-se, a «torcer» por um ou dos outros personagens numa obra que vem a confirmar a aceitação unânime do seu livro de estreia.

 

Opinião: Um livro curto que ao longo de capítulos igualmente curtos vai dando a conhecer alguns dos habitantes mais caricatos de uma rua em particular em Lisboa, onde o ambiente e interacções de aldeia ainda se mantêm, apesar de pertencer a cidade. Ainda que todos os capítulos sejam em primeira pessoa, o narrador vai-se alternando, passando por várias das personagens comentadas num e noutro capítulo, mas predominando sem dúvida as narrações de Sérgio e Nídia, o casal de um estatuto social acima dos demais, que em paralelo com a rua recontam a história do casamento falhado, agora prestes a findar-se com um jantar de divórcio. De enredo não tem muito, fica-se pelo já dito. O foco encontra-se na caracterização indirecta das personagens e no seu desenvolvimento, feito aos remendos e através de diversos pontos de vista, em que o acontecimento que é apresentado por um, aparece reconhecido de modo diferente por outro dois capítulos a seguir. A escrita a isto contribuiu, adoptando uma informalidade que se flexibiliza para melhor se adaptar ao narrador do momento, como se de uma conversa – melhor dizer, fala – se tratasse em vez de escrita.

Apesar destas bem conseguidas contextualização e caracterizações, não considerei o melhor do autor, na medida em que conheço obras onde consegue o mesmo, sem ficar o enredo desfalcado. Ademais, o plot twist final em relação a Sérgio e Nídia tornou-se esperado e sem bases dentro do desenvolvimento do enredo que o justificassem. Mais inovador teria sido manter a ideia original.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s