“O Coro dos Defuntos”, António Tavares

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TAVARES, António – O Coro dos Defuntos, Alfragide, Leya, 2015

 

Sinopse: Um belíssimo retrato do mundo rural português entre 1968 e 1974.

Vivem-se tempos de grandes avanços e convulsões: os estudantes manifestam-se nas ruas de Paris e, em Memphis, é assassinado o negro que tinha um sonho; transplanta-se um coração humano e o homem pisa a Lua; somam-se as baixas americanas no Vietname e a inseminação artificial dá os primeiros passos.

Porém, na pequena aldeia onde decorre a acção deste romance, os habitantes, profundamente ligados à natureza, preocupam-se sobretudo com a falta de chuva e as colheitas, a praga do míldio e a vindima; e na taberna – espécie de divã freudiano do lugar – é disso que falam, até porque os jornais que ali chegam são apenas os que embrulham as bogas do Júlio Peixeiro.

E, mesmo assim, passam-se por ali coisas muito estranhas: uma velha prostituta é estrangulada, o suposto assassino some-se dentro de um penedo, a rapariga casta que colecciona santinhos sofre uma inesperada metamorfose, e a parteira, que também é bruxa, sonha com o ditador a cair da cadeira e vê crescer-lhe, qual hematoma, um enorme cravo vermelho dentro da cabeça.

Quando aparece o primeiro televisor, as gentes assistem a transformações que nem sempre conseguem interpretar…

 

Opinião: Em capítulos muitos curtos – de três ou quatro páginas – a narrativa vai seguindo, num linguajar excessivo pelo abuso de palavreado mais incomum e regionalismos, não tendo havido o cuidado num equilíbrio vocabular. Como indicado na sinopse, o enredo ambienta-se numa aldeia do interior português durante a ditadura, pegando num punhado de personagens-chaves que por um motivo ou por outro se destacam na povoação. Inicialmente o enredo desenrola-se sem que pareça ter fio de condutor. À medida que avançamos vamos discernindo a linha de enredo, que contudo se mantém demasiado leve.

Não foi uma leitura que me tenha agradado por aí além. A premissa seria interessante – dentro do esperado num prémio Leya – e as personagens têm potencial para se tornarem únicas. Tanto a narrativa quanto o enredo, contudo, são erráticos, e apenas ao fim de algum tempo é que se depreende uma espécie de continuidade. Esse factor, aliado ao estilo de escrita, levou a que tenha considerado a leitura abaixo das expectativas, e aquém do título, um dos melhores que já considerei.

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