Fornada de Contos IX [Fantasy&Co]

“Livre”, Pedro Pereira – O autor volta a partir das personagens e do worldbuilding já abordados em vários dos seus contos anteriores, tornando-o em mais uma peça do puzzle geral. Narrado em primeira pessoa, o foco encontra-se em Leviatã, descrevendo o seu acordar e as primeiras acções que se seguirem. Tratou-se de uma narrativa demasiado factual, centrada em narrar os acontecimentos, mas esquecendo de transmitir ao leitor o elemento sentimental ou até mesmo manter um maior equilíbrio entre descrição directa e indirecta. Ademais, a narração em primeira pessoa implica que haja um afunilamento à visão da pessoa, expressa não apenas no transmitir das suas opiniões, mas também na linguagem e modo como pensa e se descreve – ter alguém a descrever as próprias acções com “o meu longo cabelo”, por exemplo, confere um elemento de artificialidade à narração.

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“O Industrioso SL4V3”, Ricardo Dias – A comédia presente no modo narrativo entrelaça-se bem no assunto mais sério que o leitor consegue depreender das entrelinhas (ainda que o próprio protagonista não o consiga). A história encontra-se bem estruturada, com um bom pacing e um final que responde no tempo certo às questões que vamos levantando durante a leitura. Ademais, destaca-se por detalhes como do nome de SL4V3 ou da nave, Vasco da Gama.

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“O Mineiro”, Pedro Cipriano – Um desabamento leva ao encarceramento de um grupo de mineiros. O conto não desenvolve muito o wordbuilding ou o carácter de fantasia, deixando apenas algumas indicações que possam levar à dedução do leitor. Centra-se essencialmente nas descrições do acontecimento e na tensão – controlada, mas sentida – que o dito cria no grupo. Destaca-se pelo sucesso na ambientação, tendo esta sido bem conseguida, e sendo muito fácil visualizar o que é narrado.

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“Os Historiadores”, Ricardo Dias – Um conto de Natal dentro da Ficção Científica, onde o radicalismo, emoldurado no tema “viagem no tempo”, acaba por se tornar o foco. Tudo na narração cresce para o final, no qual se verifica uma passagem bem conseguida entre o “ambiente” de FC para o mais “histórico”, através dos reis magos.

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“O Ídolo”, Pedro Pereira – Uma pitada de fantasia junta-se ao tema dos templários numa narrativa que se assemelha mais ao prólogo de algo maior do que a um conto per si. O enredo, simples, vai crescendo até ao final, deixado em aberto. Não traz muito de novo ao género.

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“No Carnaval Ninguém Leva a Mal”, Carina Portugal – Um enredo simples, mas bem desenvolvido, com uma narrativa capaz de cativar o leitor. Gostei em particular das personagens – umas novas, outras já conhecidas de outros contos – e dos detalhes que as individualizam. A ironia do título também não passa despercebida, logo nos inícios do conto.

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“Raktabija”, Carina Portugal – Inspirado na – e desenvolvendo a – mitologia indiana, o conto foca-se na deusa Kali e na sua destruição dos demónios asuma. Como é comum em mitologias o que se reduz com esta simplicidade tem bastante mais complexidade por trás. A estrutura segue um crescendo contínuo, desde a introdução e ambientalização até à conclusão final. Que os actos caracterizadores da maldade dos asuma fossem essencialmente abusos e violações, na sua maioria contra mulheres, foi algo que não passou despercebido.

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“Protetização Total”, Ricardo Dias – Um conto curto e de fácil leitura centrado na recuperação de um indivíduo, após um acidente do qual não se recorda. A narração em primeira pessoa leva a que o leitor vá acompanhando o processo de descoberta mais ou menos ao mesmo tempo que o protagonista – embora a compreensão da reviravolta final chegue primeiro à compreensão do leitor.

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“Arraia”, Pedro Cipriano – Nesta curta narração o autor volta a adicionar mais um detalhe a um worldbuilding que tem vindo a utilizar (e a dar a conhecer por contos) faz já alguns anos. Para quem já leu os contos anteriores é fácil de compreender o ambiente histórico-social envolvente, mas o mesmo não pode ser dito para quem terá este conto como primeiro contacto com o worldbuilding em questão. Narrado em primeira pessoa, prende-se, naturalmente, à percepção do narrador e protagonista. O equilíbrio entre a exposição e a descrição falha um pouco em detrimento da descrição, com excepção da parte final. Aliás a descrição final, descrevendo um X que significa Y, é o melhor do conto.

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“A Sentinela”, Pedro Cipriano – Um conto anterior do mesmo autor narra sobre um viajante que segue de povoação em povoação avisando as gentes sobre a ameaça que os espera, da qual a única salvação é a protecção da muralha. Embora as personagens e o “tom” do conto sejam diferentes, este é, de certo modo, uma continuação. Narrado na terceira pessoa, foca-se numa batalha, descrita com foco na perspectiva de um jovem sentinela. Tal como o conto que o antecedeu, falha em esclarecer pontos fulcrais no enredo relativamente à ameaça: quem são, quais os seus motivos. Num geral, trata-se menos de um conto com princípio, meio e fim, e mais de um detalhe de algo maior.

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