“O Doce Veneno do Escorpião”, Bruna Surfistinha

capa

SURFISTINHA, Bruna – O Doce Veneno do Escorpião, São Paulo, Panda Books, 2012

Sinopse: Nesta obra, você conhecerá detalhes reveladores da menina de classe média alta que trocou os fins de semana com a família no Guarujá para se prostituir aos 17 anos, tornando-se famosa pelas histórias contadas em seu blog.
O doce veneno do escorpião, publicado em mais de quarenta países, traz ainda um diário secretíssimo de Bruna Surfistinha, com as histórias mais ousadas que ela não teve coragem de publicar em seu blog. Com 36 páginas negras, o diário vem lacrado.
Bruna também oferece dicas simples às mulheres sobre como conquistar um homem – e jamais perdê-lo para uma garota de programa.

Opinião: Tinha consciência do sucesso de vendas alcançado por Bruna Surfistinha no Brasil. Não sabia, contudo, o teor do livro, tendo deduzido – por conta do “Surfistinha” – que se trataria de literatura virada para o público adolescente. Foi com essa ideia que peguei no livro e o comecei a ler sem olhar sequer a sinopse. Naturalmente, não levei muito a compreender o meu engano, atendendo a que a narração abre com a descrição de um dia normal para Bruna – muito sexo. Ajustei as minhas expectativas de leitura (com certeza não se têm as mesmas para um livro YA e para um erótico), e continuei.

A narração de Bruna prolonga-se em torno de dois temas principais: a descrição de algumas das suas experiências enquanto prostituta, sem grande detalhe de forma a manter as identidades dos clientes salvaguardadas, e a partilha de momentos da sua infância e adolescência, poucos deles felizes, todos escolhidos com o intento de afectar ao máximo o leitor (desde bullying a gordofobia, roubos a ostracização). Não deixa de haver uma certa ironia com alguns preconceitos demonstrados pela autora, ainda que relativamente sem maldade, em algumas das opiniões que partilha, bem como na crença que deixa transparecer de que a sua experiência reflecte a verdade na sua quase totalidade. Houve, contudo, momentos em que conseguiu despertar alguma compaixão, nomeadamente no referente à relação com os pais. O conteúdo, por conseguinte, poderia ter despertado maior interesse caso tivesse sido melhor pensado e desenvolvido.

O formato, contudo, necessitaria de bem mais trabalho, não apenas da autora, mas também de um revisor mais presente. A escrita revela-se básica, à base de “aconteceu X, fiz Y, ele fez W”, o que a tornou aborrecida. O encadeamento de ideias encontra-se confuso, mudando constantemente de tema (e por vezes retomando) sem qualquer “aviso”, e dando à narrativa um aspecto mais de desorganização textual que de imitação de seguimento do pensamento – razão pela qual não me parece ter sido feito propositadamente, enquanto recurso estilístico.

Num geral, considerei que os textos utilizados como capítulos poderiam ser interessantes para um blog, mas falham na adaptação ao formato de livro.

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