“Amália, O Romance da Sua Vida”, Sónia Louro

amália

LOURO, Sónia – Amália, O Romance da Sua Vida, S. Pedro do Estoril, Saída de Emergência, 2012

Sinopse: Um romance extraordinário e uma verdadeira homenagem à nossa maior diva. Sónia Louro apresenta-nos uma Amália humana como nós, que rouba flores em jardins e não suporta palavrões. Uma Amália por quem estamos perdidamente apaixonados ao chegar à última página.

Este é o romance sobre a vida de Amália, a fadista mais amada e, simultaneamente, mais desconhecida em Portugal. Operária numa fábrica de rebuçados, estreia-se a cantar em 1939. Movida apenas pela vontade de cantar e sem qualquer ambição, nem sonha que um dia será a maior artista portuguesa de sempre.

Ganhando rapidamente projecção internacional, deixa multidões rendidas à sua voz. E também os corações se rendem ao seu magnetismo: do simples povo a estrelas como Charles Aznavour ou Anthony Quinn. Mas enquanto destroça corações, o seu vive apenas desilusões. Várias vezes contempla o suicídio. Recebendo propostas milionárias para ficar a trabalhar no estrangeiro, o amor a Portugal fá-la sempre regressar. Ano após ano arrebata galardões, conquista os críticos e cruza-se com as grandes personalidades do seu tempo: Édith Piaf, Hemingway, Frank Sinatra.

No final da vida, o que pode querer alguém com o mundo a seus pés? A felicidade que nunca sentiu? A autoconfiança que nunca teve? Amália deixou-nos no dia 6 de Outubro de 1999 com uma só ambição: que a chorássemos quando morresse. Uma vida tão bela quanto inspiradora.

Opinião: Pode dizer-se ser este livro uma biografia romanceada. Estruturado em capítulos curtos, que facilitam o ritmo de leitura, o enredo acompanha Amália desde os eventos envolvendo a sua estreia, até à sua morte. Com grande foco na fadista, as personagens secundárias que fizeram parte da sua vida têm pouco desenvolvido, surgindo no livro apenas segundo a função ou papel que tiveram na vida de Amália, nunca se mostrando como as pessoas de vida e personalidade independentes que com certeza foram.

O caso não é o mesmo em relação à protagonista: a autora procura demonstrar as várias facetas de Amália, seja através da descrição directa seja através da indirecta. Tanto a sua esfera privada como a pública se encontram balanceadas no romance, assim como interligadas: na fadista temos a pessoa, na pessoa temos a fadista. Fiquei ainda com ideia, durante a leitura, de não haver grande “crescimento” por assim dizer de Amália. Do princípio ao fim de romance – e da carreira – Amália é representada como tendo os mesmo receios, as mesmas dúvidas, as mesmas tristezas: por vezes, até os mesmos erros e teimosias. Apesar de em termos de personagem não ser, usualmente, o mais desejável, julgo que a pesquisa feita pela autora – e apresentada ao longo da narrativa, validando diálogos, situações e opiniões como reais – justifica essa opção de caracterização.

De facto, um dos pontos que mais chamam a atenção é a preocupação de Sónia Louro em partilhar com o leitor os conhecimentos obtidos pela pesquisa efectuada. Não apenas inserindo-os no romances, como fazendo uso de notas-de-rodapé para lhes emprestar força e, por vezes, esclarecer quando uma situação verídica foi ligeiramente alterada em prol da estrutura do romance. Nestas “inserções” não faltam, como é natural, excertos dos muitos fados que Amália cantou ao longo da vida. Um detalhe que gostei, na medida em que confere uma certa realidade aos ensaios e espectáculos narrados, ao mesmo tempo que dissemina os referidos fados.

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