“Beatriz: A Mulher que Liderou os Descobrimentos”, Fina d’Armada

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D’ARMADA, Fina – Beatriz: A Mulher que Liderou os Descobrimentos, Lisboa, Ésquilo, 2012

Sinopse: D. Beatriz dominou o apogeu da história de Portugal, a era dos Descobrimentos.

Mãe de reis, governadora da poderosa Ordem de Cristo, deteve um poder imenso… e foi perseguida por um segredo… um segredo que mudou a história de todo o mundo!

Este é o romance que, com rigor histórico, narra a vida fascinante e desconhecida de D. Beatriz, vida entrelaçada com o misterioso Cristóvão Colombo e que encerra muitos outros enigmas: Que leis e circunstâncias a levaram a ser governadora da Ordem de Cristo – antigos Templários – e herdeira do Infante D. Henrique? Como conseguiu que reis e papas legislassem a seu favor? Como concebeu o primeiro Tratado de Globalização?

Nesta obra, o leitor encontra, também, uma outra visão dos Descobrimentos Ibéricos e tem acesso a um documento secreto do Vaticano, nunca antes divulgado.

Opinião: Esta é uma obra que entrelaça os factos históricos que nos são conhecidos com a ficção que parte de teorias, umas mais prováveis que outras, todas sem a possibilidade de se afirmar serem verdade ou não.

Apesar de o título e a sinopse se centrarem na Infanta D. Beatriz, durante boa parte da narrativa o foco encontrou-se noutras figuras, possivelmente com o intento de introduzir o contexto histórico da Infanta e dos Descobrimentos, mas que também levou a que a personagem principal do romance não fosse a sua protagonista durante uma parte considerável do enredo. Curiosamente, apenas quando D. Beatriz tomou o seu lugar de relevo é que a leitura se me tornou mais interessante, despertando-me a curiosidade em relação aos feitos e à vida da Infanta, e às influências que terá tido na História de Portugal.

Não há muito a dizer em relação ao enredo. Após a (longa) introdução em que a infância de D. Beatriz é substituída pelos feitos de outros, foca-se então na Infanta e segue os altos e baixos da sua vida, até terminar com a sua morte, em idade avançada. Inicialmente julguei existirem na obra episódios que em nada contribuíam para o enredo, escritos apenas com o intento de “palha”. Constatei, contudo, o meu engano no final, quando todas as pontas foram atadas e me apercebi que nenhum dos episódios incluídos o foi por acaso ou “porque sim”.

O modo narrativo caracteriza-se por um estilo que, não sendo tão “seco” quanto o de um registo, aproxima-se-lhe. Desse modo, assemelha-se mais a uma crónica romantizada que a um romance histórico, razão pela qual gostaria de ter visto um maior desenvolvimento do foro psicológico e sentimental das personagens.

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“D. Francisca de Bragança: A Princesa Boémia”, Maria João Fialho Gouveia

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GOUVEIA, Maria João Fialho – D. Francisca de Bragança: A Princesa Boémia, Amadora, Topseller, 2013

Sinopse: D. Francisca de Bragança nasceu no Rio de Janeiro em 1824, filha de D. Pedro IV de Portugal e da imperatriz D. Leopoldina da Áustria. Ficou órfã de mãe aos dois anos de idade, e durante toda a vida pesou sobre os seus ombros o fantasma da morte da mãe, grávida do sétimo filho, segundo os rumores assassinada às mãos do próprio marido.

Aos treze anos, a irreverente princesa conheceu D. Francisco d’Orléans, filho do rei de França, por quem se apaixonou perdidamente. Teria de esperar seis anos pelo dia do desejado casamento, e consequente partida para Paris, onde, agora a princesa de Joinville, depressa se impôs pela sua beleza, ousadia e espontaneidade, conquistando o petit nom de Belle Françoise.

Apaixonados e comungando de um ardor pela liberdade, os príncipes de Joinville entregaram-se a uma vida de boémia, numa Paris que fervilhava de arte, cultura e conhecimento, privando com intelectuais e artistas pelos Grands Boulevards e pelas salas de espetáculos.

Apesar das intrigas cortesãs, que atribuíam amantes à princesa e romances ao seu consorte, e da queda da monarquia francesa, que obrigou os príncipes a um exílio forçado em Inglaterra, o casal de príncipes nunca se separou, e viveu um amor puro e cúmplice até ao fim dos seus dias.

Opinião: Com excepção de D. Maria II, que se tornou rainha de Portugal, não é muito o que usualmente aprendemos sobre a descendência de D. Pedro IV, apesar da sua situação, no mínimo, curiosa: tornaram-se, afinal, na primeira corte brasileira. Este romance propõe-se explorar e dar a conhecer um pouco mais um dos membros dessa descendência: D. Francisca, uma figura quase obscura no nosso conhecimento geral.

Com cada capítulo dedicando-se a um período marcante da vida da princesa, os primeiros dois alongam-se em torno do pai e da mãe, D. Pedro IV e D. Leopoldina, partindo duma pressuposta demanda levada a cabo pela própria D. Francisca, com o intento de mais descobrir sobre a relação dos pais. Apenas a partir destes dois capítulos introdutórios é que o enredo se foca de facto nos eventos em torno de D. Francisca, desde o seu casamento com o príncipe de Joinville até à sua morte, destacando-se a vida boémia que levou com o marido, os efeitos do exílio de França, a menção dos rumores de traições quer dela quer do marido – que a acreditar no romance pouca mossa fizeram –, e as relações com os diferentes membros da família, quer da parte dos Bragança, quer da parte dos Joinville.

As personagens são caracterizadas tanto directa – com afirmações de serem X ou Y –, como indirectamente, através da descrição das suas acções, diálogos, cartas, etc. Não tenho conhecimento para confirmar ou não a sua autenticidade histórica, mas enquanto personagens de um romance tiveram uma boa caracterização, conquanto falhassem um pouco no desenvolvimento temporal: não se denota grandes alterações nos seus comportamentos, modos de pensar, agir ou falar ao longo da passagem temporal que se verifica na obra.

Em relação à narrativa, julgo que poderia ter aprofundado mais os sentimentos e acções das personagens. Frequentemente houve mais um destilar de informação (tanto nas descrições quanto nos diálogos) que a narrativa de um enredo, bem como eventos que poderiam contribuir para o interesse do leitor descritos de forma superficial. Estes factores tornaram vários trechos morosos, ao mesmo tempo que davam um travo artificial aos diálogos. Tratou-se, a meu ver, do ponto mais fraco do livro.

Já o estilo de escrita propriamente dito destaca-se pelo melhor. Com excepção de algumas gralhas que escaparam à revisão, o romance apresenta uma escrita cuidada, onde se verifica o uso de vocábulos mais incomuns, mas não arcaicos ou incompreensíveis.

No geral, não considerei este livro como um dos melhores romances históricos, de autores portugueses, que temos publicados no nosso mercado, por conta do já levantado. Algo pelo qual não deixo de ter pena, tanto pelo estilo de escrita da autora, como pela própria figura de D. Francisca.

“Amália, O Romance da Sua Vida”, Sónia Louro

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LOURO, Sónia – Amália, O Romance da Sua Vida, S. Pedro do Estoril, Saída de Emergência, 2012

Sinopse: Um romance extraordinário e uma verdadeira homenagem à nossa maior diva. Sónia Louro apresenta-nos uma Amália humana como nós, que rouba flores em jardins e não suporta palavrões. Uma Amália por quem estamos perdidamente apaixonados ao chegar à última página.

Este é o romance sobre a vida de Amália, a fadista mais amada e, simultaneamente, mais desconhecida em Portugal. Operária numa fábrica de rebuçados, estreia-se a cantar em 1939. Movida apenas pela vontade de cantar e sem qualquer ambição, nem sonha que um dia será a maior artista portuguesa de sempre.

Ganhando rapidamente projecção internacional, deixa multidões rendidas à sua voz. E também os corações se rendem ao seu magnetismo: do simples povo a estrelas como Charles Aznavour ou Anthony Quinn. Mas enquanto destroça corações, o seu vive apenas desilusões. Várias vezes contempla o suicídio. Recebendo propostas milionárias para ficar a trabalhar no estrangeiro, o amor a Portugal fá-la sempre regressar. Ano após ano arrebata galardões, conquista os críticos e cruza-se com as grandes personalidades do seu tempo: Édith Piaf, Hemingway, Frank Sinatra.

No final da vida, o que pode querer alguém com o mundo a seus pés? A felicidade que nunca sentiu? A autoconfiança que nunca teve? Amália deixou-nos no dia 6 de Outubro de 1999 com uma só ambição: que a chorássemos quando morresse. Uma vida tão bela quanto inspiradora.

Opinião: Pode dizer-se ser este livro uma biografia romanceada. Estruturado em capítulos curtos, que facilitam o ritmo de leitura, o enredo acompanha Amália desde os eventos envolvendo a sua estreia, até à sua morte. Com grande foco na fadista, as personagens secundárias que fizeram parte da sua vida têm pouco desenvolvido, surgindo no livro apenas segundo a função ou papel que tiveram na vida de Amália, nunca se mostrando como as pessoas de vida e personalidade independentes que com certeza foram.

O caso não é o mesmo em relação à protagonista: a autora procura demonstrar as várias facetas de Amália, seja através da descrição directa seja através da indirecta. Tanto a sua esfera privada como a pública se encontram balanceadas no romance, assim como interligadas: na fadista temos a pessoa, na pessoa temos a fadista. Fiquei ainda com ideia, durante a leitura, de não haver grande “crescimento” por assim dizer de Amália. Do princípio ao fim de romance – e da carreira – Amália é representada como tendo os mesmo receios, as mesmas dúvidas, as mesmas tristezas: por vezes, até os mesmos erros e teimosias. Apesar de em termos de personagem não ser, usualmente, o mais desejável, julgo que a pesquisa feita pela autora – e apresentada ao longo da narrativa, validando diálogos, situações e opiniões como reais – justifica essa opção de caracterização.

De facto, um dos pontos que mais chamam a atenção é a preocupação de Sónia Louro em partilhar com o leitor os conhecimentos obtidos pela pesquisa efectuada. Não apenas inserindo-os no romances, como fazendo uso de notas-de-rodapé para lhes emprestar força e, por vezes, esclarecer quando uma situação verídica foi ligeiramente alterada em prol da estrutura do romance. Nestas “inserções” não faltam, como é natural, excertos dos muitos fados que Amália cantou ao longo da vida. Um detalhe que gostei, na medida em que confere uma certa realidade aos ensaios e espectáculos narrados, ao mesmo tempo que dissemina os referidos fados.