“Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, Leandro Narloch

capa

NARLOCH, Leandro – Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, [s.l.], Leya, 2011

Sinopse: Existe um esquema tão repetido para contar a história do Brasil, que basta misturar chavões, mudar datas ou nomes, e pronto. Você já pode passar em qualquer prova de história na escola. Nesse livro, o jornalista Leandro Narloch prefere adotar uma postura diferente (?) que vai além dos mocinhos e bandidos tão conhecidos. Ele mesmo, logo no prefácio, avisa ao leitor: “Este livro não quer ser um falso estudo acadêmico, como o daqueles estudiosos, e sim uma provocação. Uma pequena coletânea de pesquisas históricas sérias, irritantes e desagradáveis, escolhidas com o objetivo de enfurecer um bom número de cidadãos.” É verdade: esse guia enfurecerá muitas pessoas. Porém, é também verdade que a história, assim, fica muito mais interessante e saborosa para quem a lê.

Opinião: O que a sinopse propõe é o que o livro faz. Através de uma série de textos que podem ser lidos tanto separadamente como de rajada, o autor procura dar a “outra face” de eventos e pessoas. Se a fama os glorifica, demonstra as falhas. Se a fama os espezinha, demonstra as qualidades. Não o faz, contudo, passando de um extremo para o outro, antes tentando demonstrar que em tudo há um meio-termo. Deste modo, desmistifica heróis e vilões, demonstrando como fontes estudos de vários académicos, diferentes para cada área.

Não se pense, contudo, que aborda apenas pessoas – históricas ou mitológicas. Eventos culturais e da História do Brasil são aqui também referidos, seguindo os mesmos trâmites já mencionados: a procura de demonstrar um outro lado ao que é maioritariamente vinculado, como é o caso, por exemplo, das circunstâncias e consequências que rodearam a Guerra do Paraguai.

Já na parte final do livro, notou-se uma tentativa de demonstrar não tanto o “outro lado” de algo, mas mais a influência que algo “mau” teve em eventos que hoje em dia consideramos como “bons”: por exemplo, a fascismo como moldador do Carnaval que é hoje vivido no Rio de Janeiro. Foi-me inevitável fazer um paralelismo entre a relação deste exemplo, e a relação existente entre a ditadura portuguesa e o modo como hoje percepcionamos o Fado.

Nota-se que o autor se dirige ao leitor brasileiro. O seu público-alvo é o leitor brasileiro. No entanto, tal não dificulta a leitura a quem não detém os mesmos conhecimentos. Para desmistificar aquilo que deseja, o autor começa por expor as ideias que, na sua concepção, constituem os mitos: tal permite que o leitor adquira a conhecimento de que precisa para compreender não apenas o livro, mas a generalidade da cultura brasileira, quer se deixe convencer pelos argumentos desmistificadores do autor, quer não. O que eu sabia sobre a Guerra do Paraguai, por exemplo, roçava a nulidade. Não faz parte do nosso sistema de ensino, nem é algo que pertença ao conhecimento comum. Agora não apenas sei o que é e que existiu, como sei a controvérsia que a rodeia sobre que culpas teve ou não teve o Brasil, a Inglaterra, o presidente López… Enfim, uma “alegria”.

A nível narrativo, o autor opta por uma linguagem directa e clara. Tenta, contudo, seguir a norma culta e, por vezes, nota-se que falha, ora caindo para o informal, ora falhando com o uso de mesóclise e afins.

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