Fornada de Contos VII [Fantasy&Co]

Depois de uma pausa na semana passada por motivos pessoais, eis a segunda parte da leitura dos contos disponíveis no Fantasy&Con, leitura essa que estive a colocar em dia com algum fervor 😉 Ficam então as opiniões a contos de Ricardo Dias, Carina Portugal, Leonor Ferrão e Pedro Cipriano.

“Desporto Radical”, Ricardo Dias: Cyberpunk não é um género pelo qual tenha grande apreço, mas este apresenta também traços de Policial, que já é bem mais do meu gosto. O enredo encontra-se bem estruturado, e as personagens apresentam uma ou duas características distintivas, suficientes para o tamanho do conto. Há um bom uso da tecnologia imaginado para o tema do assassino em série. O final ecoa ainda a Terror.

“Jim”, Carina Portugal: Um conto fofinho com o seu grau de tristeza, que usa tanto o “não aceites coisas de estranhos” como “o feitiço virou-se contra o feiticeiro”. Percebe-se de imediato qual a natureza de Jim, o que julgo ter sido propositado. As motivações do vilão ficam por esclarecer, o que achei que poderia ter sido mais desenvolvido. Destaca-se positivamente pelas descrições.

“O Meu Humano”, Leonor Ferrão: Adorei a linha de entrada fazendo um paralelo com a de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Temos aqui um narrador em primeira pessoa: o cavalo. Situando o conto num mundo onde o cavalo é a espécie dominante, a autora subverte a nossa visão, ao mesmo tempo que mantem muito dela. Explora a equitação em geral e os resultados de um mau cavaleiro em particular. É, também, um alerta, servindo tanto de entretenimento quanto de informativo. Apresenta algumas falhas a nível das vírgulas.

“O Cupão”, Pedro Cipriano: Mais um conto ambientado nowordbuilding que o autor tem vindo a desenvolver em vários contos anteriores. Também este se foca apenas num momento, desta vez no percurso de um dos revolucionários. Deixa mais subentendido do que efectivamente conta.

“O Pinheiro de Natal”, Pedro Cipriano: Uma Consoada que se revela triste para a família, mas cujas intervenções do avô falecido são não só proféticas, como podem ajudar a ultrapassar o mau momento. Notei incongruências como uma família rural e religiosa não ir à Missa do Galo, e “Consoada” ora está em minúscula ora em maiúscula. As frases do avô são por vezes ambíguas, parecendo que se referem ao neto, o único que o ouve, em vez de à avó.

“Icarus Blues”, Ricardo Dias: História de tentativa, erro, captura e fuga que utiliza pontos clássicos da SciFi. Curiosamente, considerei “Zarolho”, o alien, com uma personalidade mais sólida que o protagonista e narrador.

“Os Sapatos Negros”, Carina Portugal: Por um acaso de sorte, Âmbar escapou a uma carnificina sete anos atrás. No entanto, para cumprir os seus propósitos, o sacrifício deve ser completado, e os sapatos negros, representação e fonte de poder daquele mal, perseguem-na para terminar o serviço. O conto apresenta boas descrições e uma boa narração, mas desenvolve pouco as personagens.

“A Filha da Peste”, Carina Portugal: Até ao momento é o meu conto favorito da autora. Faz uma excelente ambientação tanto da cidade de Veneza quanto dos festejos carnavalescos, interligando-os com o enredo, que por sua vez está bem construído e multifacetado. As descrições são vívidas e fáceis de imaginar, e as personagens bem construídas, apesar do pouco espaço inerente ao formato. Espero por uma continuação, em particular uma que desenvolva a relação do Orfeo e do Ciro.

“O Poeta”, Pedro Cipriano: Mais um conto em que o autor explora uma personagem do worldbuilding que anda a desenvolver para algo maior. Desta vez aborda um velho poeta que durante vinte anos se fechou ao mundo, desconhecendo, portanto, os acontecimentos do exterior. Um sacrifício com o objectivo de grandeza literária que de nada serve, visto que esqueceu o mais importante: viver o seu próprio tempo.

“Os Cadáveres”, Pedro Cipriano: Narrado em primeira pessoa, faz uso de frases curtas para causar um maior impacto. Apresenta um grande detalhe nas descrições apocalípticas, ao mesmo tempo que mantém uma força psicológica. Há, então, um bom equilíbrio entre a mente do protagonista e aquilo que se passa em seu redor.

“Jardins Suspensos da Babilónia”, Leonor Ferrão: Do modo como o conto está ao momento em que o li, não gostei. Há pontos que se resolvem facilmente com uma revisão, como gralhas, palavras a mais e as falhas na pontuação nos diálogos. Outros já precisarão de um maior trabalho, como a estrutura e as razões para o encadear dos eventos, que se baseiam demasiado na sorte. Não desgostei da ideia base, mas o conto precisa de se expandir, de ser melhor trabalhado e de um maior desenvolvimento.

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