“A Misteriosa Mulher da Ópera”, VVAA

capa

VVAA – A Misteriosa Mulher da Ópera, Alfragide, Casa das Letras, 2013

Sinopse: Um desafio. Sete autores. Catorze mãos. Sete personagens inesquecíveis. Uma única história. Uma trama arrebatadora que contém de tudo, desde crimes misteriosos, o fantasma de uma avó violinista, flûtes de champanhe, um gato persa chamado Psiché que por vezes se vê obrigado a fazer de pêndulo de Foucault, uma caixa de violino suspeita de assassinato, uma taberna onde se canta o fado em Xabregas, e amor, amor em catadupas, uma grande paixão, desencontros terríveis, equívocos inexplicáveis, reencontros inesperados. A aventura vai das avenidas de Paris, à Rua Heróis de Quionga, ao Teatro Nacional de São Carlos, ao cais de Xabregas e a um cacilheiro que parte para Veneza deixando um cadáver para trás.

Opinião: Com o título, a sinopse, e o leque de autores conhecidos que já li e comprovei gostar, tinha boas expectativas para este livro. Estas, no entanto, não foram atendidas. O tema que domina o livro é um dos mais interessantes em literatura: a identidade. No entanto, não se encontra bem aproveitado, visto que se perde nas personagens. O facto de todas elas mentirem não é novo nem inesperado para um mistério, mas falta-lhes credibilidade, e a atenção que se dá a esta má aposta, como que rouba o foco que se poderiam ao desenvolvimento da identidade humana.

A narração é quase exclusivamente de tell, provocando um desequilíbrio entre tell e show, e tornando a leitura aborrecida em bastantes partes. Não digo que se deva “mostrar” tudo o que é narrado, pois tal seria falhar pelo outro extremo, contudo, “contar” a grande maioria dos acontecimentos também acaba por fazer com o leitor não crie interesse pela história, nem sinta empatia pelas personagens.

Por fim, e o que é talvez a maior crítica, os capítulos – sempre narrados em primeira pessoa, ainda que não sempre pela mesma personagem – não ligam bem entre si. Julgo que parte do interesse deste livro seria verificar como os vários autores conseguiriam unir numa só história os diferentes tipos de escrita. O que verifiquei na minha leitura é que não conseguiram: nota-se ter sido escrito a várias mãos, faltando uma visão geral que revisse e unificasse a história. O resultado desta falha é que em vez de uma história una, ficamos com algo a tender mais para o fatiado.

Um projecto do qual, portanto, esperava bastante mais.

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