“Urbania”, Carlos Silva

capa

SILVA, Carlos – Urbania, [s.l.], Smashwords, 2013

Sinopse: Que influência terá sobre Lisboa a cidade em movimento, onde os sonhos e a lucidez se vendem como um mero produto? As duas cidades estão em rota de colisão e Hugo sabe que é a única oportunidade de alguma vez conseguir passar de uma para a outra, mas para isso terá de compreender o que os Lobos lhe dizem. Um romance sobre ciclos que se cruzam e entrecruzam, onde a única constante é a mudança.

Opinião: Durante a leitura de uma obra, qualquer que seja o seu tamanho, são quatro os elementos primordiais a que presto atenção: estilo narrativo, enredo, personagens e worldbuilding. Tendo lido já vários contos do autor antes, contava gostar do estilo narrativo, já por mim conhecido, e assim foi. Apenas o recurso a “BANG – texto – BANG” no início não me agradou tanto. Percebe-se o porquê do seu uso e qual a experiência que está a ser feita, mas não achei necessário nem gostei particularmente.

Em relação ao enredo, pareceu-me ser mais um meio de demonstrar oworldbuilding do que algo independente, por assim dizer. Não o considero, no caso, como algo negativo. O enredo tem uma estrutura sólida, não deixa pontas ao acaso e nota-se a sua evolução progressiva. E o worldbuilding fascinou-me o suficiente para querer saber mais sobre ele, algo que este método com certeza auxiliou: é muito mais fácil prender a atenção do leitor através de um desenvolvimento de acontecimentos do que fazendo um despejar de informação, que acabaria por aborrecer em vez de fascinar.

As personagens foram o que considerei mais fraquinho. Os seus traços essenciais encontravam-se lá, mas faltava-lhes um maior desenvolvimento, algo que as tornasse mais reais ao leitor e, assim, facilitasse a empatia. Pegando no casal enamorado como exemplo: é dito que se apaixonaram um pelo outro, mas porquê? Tendo em conta o quanto a sua paixão influencia o enredo, seria aconselhável que a mesma fosse trabalhada de modo a mostrar-se credível ao leitor, algo com forma, mais detalhado e com melhores bases de apoio. Do modo como está, quase parece superficial, e as palavras de Inês levaram-me a pensar mais nela como uma adolescente iludida a precisar de dois pares de estalos, do que uma mulher apaixonada a vincar pé por uma solução que lhe permitisse manter a sua cidade e o seu amor.

Por fim, o worlbuilding foi o que realmente me fez gostar da leitura. Todo o conceito geral de uma cidade em constante mudança me fascinou, mas, como se não fosse bastante, ainda a polvilham uma variedade de detalhes que a demarcam, caracterizam e identificam. Ainda que tenha ficado a conhecer Urbania bastante bem, dentro do que nos foi demonstrado, não nego a vontade de voltar a ler sobre ela. Não apenas sobre a cidade, mas também sobre as sombras que do seu mundo fazem parte e as povoações que existem no meio dessas sombras. Dentro do worldbuilding, apenas uma coisa me incomodou: não compreendi completamente qual a natureza dos Lobos. O que podem fazer eles que uma pessoa atenta e bondosa não possa? O que faz deles diferentes, e como se sabe que uns o são e outros não?

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s