“Trëma: Antologia de Textos”, VVAA

capa

VVAA – Trëma – Antologia de Textos, [Lisboa], [Rogério Ribeiro], 2012

Fazendo parte do projecto Trëma, a revista com o mesmo nome, editada por Rogério Ribeiro, apresenta uma estrutura que alterna entre contos e artigos – de temáticas várias e actuais –, terminando com uma entrevista a Ivor Hartmann pela sua contribuição para a Ficção Científica Africana, e uma crítica de Andreia Torres ao livro “Margarida e o Mestre”, de Mickhail Bulgakov.

A capa, de Luís Melo, ilustra o primeiro conto com que nos deparamos. Em termos absolutamente leigos, que isto não é blog de profissionais, achei-a muito bem conseguida, tanto como ilustração do conto, como de modo independente.

Mas fica um pedido para possíveis futuras publicações: letras maiores! O tamanho actual força demasiado a vista, tornando a leitura mais morosa e cansativa.

Agora, ditas as generalidades, as opiniões referentes aos contos: 

“O Vigésimo Oitavo Dia”, Maria Amaral Ribeiro: O conto revolve em torno de Sara, a sua relação com a mãe, e um elemento sobrenatural. O ambiente invoca o Portugal interior, e o linguajar mais terra-a-terra das personagens contrasta com a linguagem cuidada do resto da narração, sem que cause estranheza. Considerei, no entanto, que se alongou demais, com detalhes (e palavras) desnecessários que apenas conseguiam distrair o leitor. 

“O Cais do Poeta”, Carina Portugal: Inicialmente parece que acompanhamos um mendigo poeta nas suas visitas a outros poetas, estátuas para os demais, vívidos para si, que talvez seja menos louco do que se pensaria. A autora alongou-se excessivamente nesta parte, deixando o ponto crucial do conto para fim, quando as perspectivas ganham sentido – este, no entanto, fez valer a pena a leitura. 

“A bela adormecida do Mosela”, Rui Ângelo Araújo: Talvez haja simbologia que me passou ao lado, mas cheguei ao fim do conto com a sensação de uma sequência de acontecimentos sem razão de ser: uma povoação que vive só e exclusivamente pelo e para o mercado do vinho, SS nazis que entram no panorama, capturam o narrador e se preparam para o fuzilar, um tsunami que impede o triste desfecho, e sete anões com uma bela adormecida que aparecem junto com as águas. Só a graça irónica no final é que despertou um sorriso. 

“Na Crista da Onda”, Luís Filipe Silva: Um conto que se insere no género da science-fiction, e o mais longo da Trëma. Estruturado por partes que nos vão fornecendo cada vez mais dados ora sobre a situação presente, ora sobre o narrador, o único terrano presente, centra-se principalmente numa tripulação originária de planetas diferentes, que se vê numa situação de risco, onde as possibilidades de fuga apresentam-se quase tão más como a situação do momento. No final, fez-me lembrar o mito de Ícaro.

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