“O Fim da Inocência”, Francisco Salgueiro

capa

SALGUEIRO, Francisco – O Fim da Inocência: Diário Secreto de uma Adolescente Portuguesa, Alfragide, Oficina do Livro, 2010

Sinopse: Aos olhos do mundo, Inês é a menina perfeita. Frequenta um dos melhores colégios nos arredores de Lisboa e relaciona-se com filhos de embaixadores e presidentes de grandes empresas. Por detrás das aparências, a realidade é outra, e bem distinta. Inês e os seus amigos são consumidores regulares de drogas, participam em arriscados jogos sexuais e utilizam desregradamente a internet, transformando as suas vidas numa espiral marcada pelo descontrolo físico e emocional.

Francisco Salgueiro dá voz à história real e chocante de uma adolescente portuguesa, contada na primeira pessoa. Um aviso para os pais estarem mais atentos ao que se passa nas suas casas.

Opinião: Apesar do subtítulo, o livro não segue a estrutura de um diário: através de capítulos pequenos, narra memórias, seguindo uma estrutura circular em que o fim retorna ao momento com que se abriu a narrativa. O enredo não é inovador, tratando-se de mais uma história em que adolescentes abusam de sexo e drogas – com um final previsível para todos, excepto para os próprios, porque, afinal “só acontece aos outros”. O que o faz destacar é tratar-se de uma história real (assim é dito) de jovens portugueses, dando o livro dados suficientes para se adivinhar o colégio que frequentavam.

Ainda que a narração seja em primeira pessoa, esta não é particularmente sentimental. As descrições, diálogos e a retrospectiva no geral são feitas de forma directa, sem subterfúgios, e por vezes quase superficial. Como se o que estivesse a ser narrado fossem os factos, e nada mais. Um erro foi o carácter generalista que adoptou: parece partir do princípio que todos os nascidos na década de 90 se comportam de igual forma, ou irão comportar, quando me parece ser mais uma minoria, ou pelo menos nada tão espalhado pela faixa etária em geral.

Um livro que, em termos literários, pode ser interessante para quem não leu ainda nada dentro do género, mas que não traz ao mesmo nada de novo. Já em termos sociais, desperta maior atenção – espero, contudo, que não deixe pais e gerações mais velhas a olhar desconfiados para os mais novos, questionando-se sobre o “e se?” apenas por terem a idade que têm, e sem qualquer outro indício.

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