“O Diário Oculto de Nora Rute”, Mário Zambujal

capa

ZAMBUJAL, Mário – O Diário Oculto de Nora Rute, Lisboa, Clube do Autor, 2013

Sinopse: Nora Rute é uma personagem de romance e, ao escrever o seu diário, vai escrevendo, no desconhecimento do que virá a seguir, o seu próprio romance. Ao mesmo tempo, acrescenta-lhe o registo de acontecimentos e usos que marcaram um ano (1969) desde a chegada do Homem à Lua à moda da minissaia, das manifestações estudantis a guerras em África, aos bares e cafés de Lisboa.

Narrativa de marcada originalidade, O Diário Oculto de Nora Rute coloca os leitores no caminho irrequieto de uma jovem que desafia as regras, as de uma sociedade machista de um pai austero. Predominam as personagens que são membros da família, não só uma misteriosa tia Nanda, a prima Mé mas um quase desconhecido que parece ter conquistado, em definitivo, o amor de Nora Rute. E um primo ribatejano que lhe revelará o reverso das luzes e sombras da cidade.

Ao colocar-se na sua mente de uma forma travessa, Mário Zambujal, sem abandonar o seu estilo próprio de escrita, incorpora-o no espírito e na conduta de uma jovem que descreve no seu diário a agitação dos seus dias.

Opinião: Tal como já se tinha verificado com o anterior livro que li do autor – Já Não Se Escrevem Cartas de Amor –, tratou-se de uma leitura muito simples e rápida. A isso contribuiu não apenas o estilo narrativo, acessível a qualquer um, como o próprio formato da história: capítulos curtos, de poucas páginas, cada um deles uma entrada no diário de Nora Rute. Nora Rute, por sua vez, é uma jovem rebelde no Portugal de 1969, que ao narrar os acontecimentos marcantes deste ano (o programa televisivo Zip Zip, as revoltas estudantis, a Primavera Marcelista, a ainda a decorrer Guerra Colonial…), o faz com a visão de quem os vive e por eles vai passando. Ou seja, passa por eles e conhece-os do mesmo modo que, neste momento, um jovem tem noção dos acontecimentos mundiais que estão a decorrer. Sabe, pelo menos, o básico sobre eles, reconhece-lhes a importância, mas não deixa de viver a sua vida, e de levar as suas preocupações mais mundanas.

A caracterização e construção de Nora Rute enquanto personagem são feitas indirectamente na sua maioria, através do seu modo se narrar os acontecimentos que vive, e vez ou outra, mais directamente, com uma citação de algum amigo ou familiar da protagonista. O mesmo sistema aplica-se às restantes personagens, sendo que a maioria delas, contudo, não chega a adquirir uma autonomia da “visão” de Nora Rute, estando a sua caracterização condicionada à opinião que a jovem delas tem.

Por fim, o enredo nada tem que se aponte. Acompanha as peripécias de Nora Rute desde Janeiro a Dezembro de 1969, e apesar de ter gostado da leitura a verdade é que, uma semana decorrida, não consigo apontar com exactidão em que consiste o enredo. Algo que por si já fala bastante.

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