“Na Sombra das Palavras”, VVAA

capa

VVAA – Na Sombra das Palavras, Aveiro, Divergência, 2014 

Sinopse: Na Sombra das Palavras reúne cinco contos de autores portugueses, combinando thriller e fantástico em histórias de amor, memórias esquecidas e encontros com a Morte e Deus. As palavras transportam o leitor para labirintos, panópticos, livrarias e memórias longínquas. Com contos da autoria de Ângelo Teodoro, David Camarinha, Fábio Ventura, João Ventura e Mário Seabra.

Opinião: Primeira publicação da Editorial Divergência, a antologia “Na Sombra das Palavras” contém cinco contos de Thriller Fantástico dos autores Fábio Ventura, João Ventura, David Camarinha, Ângelo Teodoro e Mário Coelho. A antologia pode ser adquirida em paperback (dois euros e meio) ou em ebook (um euro) no site da editora.

Segue a opinião de cada um dos contos: 

“O Livreiro”, Fábio Ventura: Começa com uma ambientação a fazer suspeitar uma história de fantasmas, mas rapidamente é levado noutra direcção. Bem estruturado, contém bons twists, e apesar de o último ser perceptível para o leitor, na sua maioria conseguem surpreender. As personagens encontram-se construídas com traços gerais, o que, aliado ao facto de não terem nome, lhes confere a ambiguidade do “qualquer um”. Em termos narrativos, vez ou outra dá a sensação de repetição e julguei ter havido um excesso de advérbios. No geral, no entanto, é agradável à leitura e capaz de construir a tensão. 

“A Lista de Deus”, João Ventura: Centrando-se na descoberta de um manuscrito perdido do Génesis, parece ser mais profético que a narração que conhecemos sobre a criação do mundo. Pareceu-me ser um conto demasiado compacto, onde espaço para um maior desenvolvimento seria capaz de levar o final a causar maior impacto, e as personagens dissessem mais ao leitor. Nota-se a boa estrutura do enredo, e destaca-se a escrita, em particular as descrições: há uma grande facilidade em imaginar o que está a ser descrito. 

“O Panóptico”, David Camarinha: A narração em primeira pessoa leva a que o leitor só saiba o que o narrador sabe e dá a conhecer: isso levou a uma falta de dados para o leitor que me deixou ligeiramente confusa. Começando por estar numa prisão, a personagem não sabe quem é nem porque ali está. Segue-se uma revolta, e as minhas perguntas: por que começou naquele momento em específico? Quem é Peter? Um conto psicológico que deixa bastante à interpretação do leitor. 

“Labirinto de Papel”, Ângelo Teodoro: Também narrado em primeira pessoa, o conto consegue manter a atenção do leitor através do mistério que vai crescendo. O final é o esperado, sendo facilmente adivinhado pelo leitor, e notam-se algumas falhas na pontuação, como “Não terás visto mal? Não andarás cansado do trabalho.” No geral, tem uma boa narração, conseguindo utilizar o vocabulário de modo a enfatizar as ideias. 

“Tábula Rasa”, Mário Coelho: Enredo simples e personagens algo indiferentes: cumprem, no entanto, o seu papel. Destaca-se owordbuilding, que me suscitou a curiosidade, e espero vir a encontrar novamente. Ademais, o mesmo foi dado a conhecer aos poucos, através dos diálogos e das acções das personagens, não tendo o autor caído no erro da infodump.

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