“Fortuna: A Saga da Riqueza”, Cassia Cassitas

capa

CASSITAS, Cassia – Fortuna: A Saga da Riqueza, [s.l.], [s.n.], 2013 

Sinopse: Fortuna a Saga da Riqueza narra a história de Ricardo e Carolina em meio à crise econômica mundial de 2008. Falando sobre a busca da prosperidade, o livro é repleto de fatos históricos e de muita ação.

O romance aborda a saga de uma família que conheceu as evoluções socioeconômicas do século XX abalado pelas guerras mundiais, embalado pelo capitalismo e consolidado pela sociedade de consumo.

Os personagens têm identidades e trajetórias muito claras e definidas, personificando as diretrizes econômicas e sociais que nortearam os acontecimentos das últimas décadas. Ao longo de suas trajetórias, o leitor tem a oportunidade de conhecer um pouco da educação, do estilo de vida, do pensamento político e das ideias que norteiam o pensamento popular do Brasil.

Quando a bolha imobiliária estoura, Ricardo luta para impedir o contágio no Brasil. Lucratividade, ética e responsabilidade social são algumas das questões que vêem à tona. Todos se confrontam com a nova realidade e a formação sociocultural de cada personagem determina as reações.

Fortuna a Saga da Riqueza é um livro vivo, a história não acabou. Ela continua nos países que lutam contra a instabilidade e o desemprego.

Opinião: O enredo desenrola-se em dois tempos distintos: o presente da narrativa, no Brasil de 2008, onde se acompanha Ricardo e as suas preocupações e dilemas, não apenas familiares e económicos, mas também laborais, e o passado difícil da sua família, de origens italianas, quando se arriscou a uma emigração para um país que lhes era desconhecido. Esta narração a dois tempos pareceu-me ser uma boa escolha para melhor compreensão da ascensão e história familiar de Ricardo e Carolina, sua prima e esposa. Apesar de na primeira vez que “recuamos” no tempo não ser de todo perceptível o que aconteceu – julguei que se estaria a contar uma história temporalmente paralela –, o leitor acaba por se aperceber da estrutura. Ambos os tempos, no entanto, carecem de desenvolvimento. A sinopse refere haver uma abundância de factos históricos, contudo, estes não parecem mais do que aqueles facilmente encontrados numa pesquisa pela internet. Possivelmente a autora conhece bem mais, e tem melhor noção dos mesmos, mas não foi capaz de os inserir na narrativa, fazendo com que o leitor se envolvesse verdadeiramente com a época. Se tanto a narrativa do presente quanto a do passado estivesse situada nos dias de hoje, pouca diferença pareceria haver no livro.

Também a acção e os sentimentos das personagens carecem de desenvolvimento: diz-se que as coisas aconteceram. Diz-se que X se sentiu assim, e que Y achou assado, mas não se demonstrou e, por consequência, não se criou qualquer empatia com as personagens. Estas tornaram-se unidimensionais e com o seu quê de superficiais, não por falta de planeamento das suas características e agruras, mas porque nem uma nem outra fora demonstradas ao leitor.

Por fim, a própria forma narrativa deixou a desejar, não tanto as descrições e narrações, mas essencialmente os diálogos: nota-se construções e palavreado que pertencem bem mais à forma escrita que à forma oral. Tal tornou-os falsos e pouco credíveis. Ademais, várias vezes foram usados para transmitir informação ao leitor, notando-se que determinadas trocas de palavras se encontram no texto exclusivamente para isso: uma vez mais, atribuindo um carácter inverosímil às conversas das personagens.

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