Fornada de Contos I

Os dez contos que se seguem encontram-se todos disponíveis na Internet, nos links que colocarei no fim das respectivas opiniões. Alguns do Goodreads, um da Smashwords, mas a maioria são do Fantasy&Co, ora do blog, ora dos ebooks que têm vindo a disponibilizar.

Temos, portanto, como autores a Andreia Silva, o Pedro Cipriano, o Vitor Frazão, o Carlos Silva, a Carina Portugal, o Joel G. Gomes e a Carla Ribeiro, com os contos comentados por ordem de leitura.

“Alma Improvavelmente Dolorosa”, Andreia Silva

Um conto curto de drama e romance que apesar de se notar a tentativa de extravasar fortes emoções, falha pela repetição e de vez em quando um exagero de purple prose a prolongar desnecessariamente frases que no seu âmago são simples.

No entanto, atendendo a que foi o primeiro escrito da autora (at last I was told that), julgo que há aqui boas bases para crescer.

http://www.goodreads.com/book/show/17226061-alma-improvavelmente-dolorosa

“O Monstro e a Musa”, Pedro Cipriano

Dividido em dez partes de modo a facilitar a leitura – o Fantasy&Co não deixou passar despercebido que, em termos de blogs e sites, os leitores assustam-se e recuam quando se deparam com grandes blocos de texto –, a primeira parte introduz o doutor Walter Ramos, dando-nos a entender por detalhes nos diálogos que o enredo se desenvolve num tempo futuro – um futuro no qual Portugal como o conhecemos não existe. Apesar da necessidade de dar a conhecer ao leitor oworldbuilding – e o modo como este surgiu – num pouco espaço de tempo, o infodump foi evitado, fornecendo-se as informações aos poucos, e utilizando tanto a inserção das ditas em trechos que por si só nada teriam de crucial (a viagem forçada de Walter Ramos até à cidade, por exemplo), como inquéritos entre as personagens.

A inserção de Eva, no gap temporal existente entre a parte 4 e a parte 5, pareceu-me demasiado brusca. É-nos dito quem é e como desenvolveu a sua relação com Walter, contudo, tal não impediu a sensação de “caída do céu”. Trata-se, também, de uma personagem cliché, que parece estender essa característica a todas as partes do enredo que a envolvem.

[“pedido”: pedindo (3/10)]

http://fantasyandco.wordpress.com/2013/03/10/o-monstro-e-a-musa-110-pedro-cipriano/

“Bom Filho”, Vítor Frazão

Inicialmente a descrição de uma subida por um dos montes do Douro, apresentando-nos a personagem de Joaquim e a indicação de que este não é o mais saudável nem jovem dos homens, rapidamente o conto se torna num entrelaçar entre uma realidade mundana com a fantasia de um mito antigo. Não existem grandes twists nem acções, estando a plotconcentrada no diálogo, intercalado com as descrições e informações necessárias. Bonito e melancólico.

http://fantasyandco.wordpress.com/2013/04/07/bom-filho-vitor-frazao/

“Não lhe veste a pele”, Vítor Frazão

Apesar de pegar numa personagem e num worldbuilding de maior dimensão – explorados no livro já publicado do autor –, é fornecido contexto suficiente para que os leitores alheios a tal compreendam e não se sintam perdidos. No entanto, parece-me que os que estejam nessa situação não apreciarão tanto o conto como os que já conhecem Lance de outras aventuras, isto porque aqui pouco decorre em termos de enredo – o centro do conto parece ser explorar a situação e os receios de Lance em relação à família e à sua situação de híbrido.

[“os sensuais lábios rosado da mulher”: rosados]

http://fantasyandco.wordpress.com/2013/04/09/nao-lhe-veste-a-pele-vitor-frazao/

“A Sopa”, Joel G. Gomes

O autor tem aqui uma boa ideia, presa num formato demasiado compacto – tornou a sua leitura cansativa e por vezes apanhei-me a distrair-me e a ter de reler. Julgo que a inserção de mais diálogos e o fornecimento de informação de modo mais directo e menos dependente da interpretação do leitor teriam melhorado essa questão.

https://www.smashwords.com/books/view/306307

“És o que pareces, por não o seres”, Carina Portugal

No início a autora demora-se demasiado em detalhes que não têm grande contribuição para o enredo ou para a leitura, mas tal vai-se perdendo com o avanço da história. Esta tem bons ingredientes para gostar dela – os fantasmas, a bruxa… -, e no entanto não chegou a agradar totalmente. Apesar de ter gostado da ideia, a prossecução pareceu-me um pouco sem-sal. Talvez nos desenvolvimentos finais é que devesse ter havido uma maior demora nos detalhes.

[Bens imóveis (no caso o prédio) arrendam-se, não se alugam]

http://fantasyandco.wordpress.com/2013/04/04/es-o-que-pareces-por-nao-o-seres-14-carina-portugal/

“Abraça-me para sempre”, Carla Ribeiro

Embora dê para acompanhar a história, o conto deixa muitas perguntas por responder – quem é a resistência, quem são os invasores (esclavagistas?), qual a sua história, é História alternativa ou o uso de um momento da nossa História? Aproxima-se mais de um excerto que de um conto. Já a narração, apesar de se alongar um pouco no início e tentar uma abordagem demasiado “trabalhada”, acaba por ser o melhor do conto.

https://www.dropbox.com/s/nfb7frvn8xbvxo5/Abra%C3%A7a-me%20para%20Sempre.pdf

“Boa noite, Gonçalo”, Carlos Silva

Desconfiei do final por me fazer recordar o “Inteligência Artificial” – e ao mesmo tempo a história de Hansel e Gretel. Um bom equilíbrio entre as dificuldades actuais e o sci-fi, com uma boa narração. O título adequa-se e é chamativo.

https://www.dropbox.com/s/xjv1l9txiebrcn9/Boa%20noite%2C%20Gon%C3%A7alo.pdf

“Trial Version”, Carlos Silva

Inicialmente parece focar-se nas recordações de um moribundo no leito de morte, após uma vida que o satisfez. O final revela que não – um conceito que não é inovador, do qual chegamos a desconfiar, mas que se encontra bem trabalhado através da narrativa.

[“apensar dos sulcos cavados pelas décadas”: apesar]

https://www.dropbox.com/s/ivb5zp3s63n1ojw/Trial%20Version.pdf

“O Monociclo”, Vítor Frazão

O diálogo com que o conto começa fez-me rir. Não devia: no fundo está a ilustrar o aproveitamento de um vendedor (ganancioso ou a fazer pelo negócio?) sobre um toxicodependente, mas que fazer se o palavreado utilizado e o modo como foi conduzido me levaram a isso?

É já a partir da parte dois (o conto divide-se em quatro partes) que as propriedades do monociclo se tornam claras ao leitor, bem como o carácter Fantástico e Horror da narrativa. Mais uma vez, achei-o um conto muito bem conseguido, com uma excelente condução e uma forma de escrita que cada vez aprecio mais. Fez-me lembrar o Neil Gaiman, em especial o final e as personagens de Bo, Aranha, Patrão e Rapaz-Porco.

[“até o Inferno” ao; “o que aconteceria aquele dinheiro” àquele; “já vi réplicas que a custarem 700, isto é original” este “que” está a mais; “Trás dinheiro” traz, “quanto menos espero, quanto estou certo que acabou” quando nos dois casos; “Percebia que exagerar” exagerara; “ir buscar a revólver” o revólver; “antes carracas pálidas, exageradamente pintada de vermelho ” carrancas?, e “pintadas”]

http://fantasyandco.wordpress.com/category/contos/o-monociclo/

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