“Fantasy&Co: Halloween”, VVAA

capa

O Fantasy&Co é um projecto que se tem dedicado à produção e divulgação de contos de autores nacionais dentro da área do fantástico. Recentemente, o blog resolveu lavar a cara e, junto com as mudanças, compilou alguns dos contos temáticos em ebooks que disponibilizou gratuitamente e podem ser adquidos aqui por todo e qualquer interessado.

Ahem. Apesar de ler bastantes contos, inclusive uma quantidade razoável do Fantasy&Con, não sou grande coisa a comentá-los. Evito faze-lo, na verdade – e antes que qualquer autor ceda aos instintos de me esganar, a única razão para isso é que na grande maioria dos casos eu pura e simplesmente não sei o que dizer. O que é problemático, visto que a grande maioria das coisas que escrevo são contos. Devia ter melhor olho para “topar” o que me agrada ou desagrada nos ditos, nem que seja para melhorar o meu próprio trabalho.

This calls for a change. Therefore, aqui fica a primeira opinião relativa a uma antologia de contos.

“A menina que não gostava de doces”, Carina Portugal – Algumas incongruências e repetições logo no início requerem uma maior atenção na revisão (o chapéu de bruxa que primeiro é descrito como estando na cabeça, e logo de seguida na mão, por exemplo, ou o “Por fim, parou junto de uma grande casa” quando duas linhas acima já nos tinha dito que a personagem correu até à casa mais próxima) e há um excesso de vírgulas. Julgo que teria ficado a ganhar caso se tivesse explorado o porquê de a menina não gostar de doces – fica-se sem saber o porquê da embirração, restando as teorias –, mas gostei da ideia de pegar no ponto de vista de uma criança-bruxa e do modo singelo como foi tratado, adequando-o à idade da personagem.

“Morte Branca”, Liliana Novais – O conto começa com a menção ao dia de Todos-os-Santos e à tradição portuguesa de visita-anual-aos-cemitérios, que honestamente uma pessoa tem tendência a esquecer-se quando se fala em Halloween, mas que tecnicamente faz parte, e de um modo mais “nosso”, por assim dizer. Por isso fiquei um pouco desiludida quando me apercebi que a autora não iria continuar por essas linhas: pareceu-me que teria sido um modo refrescante e inesperado de tratar o tema. Em vez disso, o protagonista continua a expor as suas mal-humoradas opiniões sobre a festividade, até ser interrompido pelo tremor do chão e gritos. Não evitei um sorriso ao ver o coelho branco gigante (apesar de não o menosprezar. Ninguémsensato o faz), e, no entanto, something is missing. Ou por construções do género “Parado à minha porta as pessoas fugiam a correr” que apesar de se compreenderem parecem ser demasiado rústicas, digamos, ou pelos problemas de pontuação, cujo excesso ou, mais frequentemente, ausência, afectaram negativamente a leitura

“Bruxaria”, Pedro Pereira – Ah, o famoso jogo do copo. Quem nunca experimentou ou sabe de quem tenha experimentado? O conto começa com o mundano de um grupo de amigas a jogarem-no, mas, como esperado, não poderia acabar bem. Apesar de não se destacar pela originalidade, encontra-se bem escrito e é uma leitura agradável. Well, tão agradável quanto uma matança pode ser. [Chamo atenção para o erro de digitação na linha 22 da página 10 do pdf, em que se lê “garanta” em vez de “garganta”]

“A noite de todas as sombras”, Sara Farinha – O conto vai-se construindo a partir da atenção aos pormenores, focando mais uma personagem que propriamente um enredo. Gostei do final, no entanto, a escrita teria a ganhar caso evitasse floreados a mais. [“Em cada novo dia adensa-se o cinzento dos céus, menos horas de luz e escasseia a claridade” – Falta um verbo nesta frase]

“Chekhov’s Gun”, Carlos Silva – Não conhecia a metáfora que deu mote ao conto, ou melhor, conhecia-a, mas não à terminologia. Sendo um conto simples, encontra-se bem trabalhado. E já me estava a preparar para “reclamar” em relação a um certo e determinado detalhe, quando a pergunta final lhe deu a volta com um “lol, no, bitch, não é falha minha”, tornando-o numa mais-valia. [“mesmo apesar da barba” Este “mesmo” é desnecessário e é um solavanco na leitura; “os olhos cansados e o corte de cabelo desalinhado” Por que não se continuou com o “dos… do”?]

“Se uma árvore cai na floresta…”, Vitor Frazão – As descrições estão óptimas, havendo uma grande facilidade na visualização dos detalhes (macabros, as it was suppose to be). O conto foi bem conduzido e definitivamente a árvore tem carisma para merecer aparições noutras histórias. Gostei da reversão, relembrando quão monstruosos os seres humanos podem ser. O final foi esperado, mas a outra hipótese tê-lo-ia deixado insosso. [“Foram ele que me obrigaram” – “eles”]

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