“Eu, Amélia, Última Rainha de Portugal”, Stéphane Bern

capa

BERN, Stéphane – Eu, Amélia, Última Rainha de Portugal, Porto, Civilização, 1997

Sinopse: Nasceu e morreu no exílio e viveu num tempo toldado por guerras, revoluções e regicídios. Assistiu ao assassinato no marido e do filho mais velho, à queda da Monarquia e quis o destino que sobrevivesse a todos os seus. Fracassou no casamento e despertou invejas na corte de um país que adoptou como seu com amor e dedicação.

Ao longo de oitenta e seis anos, D. Amélia de Orleães e Bragança conheceu, com efeito, todas as vicissitudes de uma vida romanesca, mas manteve sempre a fé e a esperança associadas a um profundo sentido de sacrifício.

É essa excepcional lição de vida, que tem como pano de fundo uma das épocas mais agitadas da História de Portugal e da Europa, que este livro nos oferece. Umas “Memórias” meticulosamente trabalhadas pelo autor que nos revelam a realidade de um tempo de uma forma indiscutivelmente aliciante.

Opinião: Como é perceptível pelo título, trata-se de uma biografia de D. Amélia, esposa do rei D. Carlos e mãe do rei D. Manuel, o último monarca de Portugal. O narrador autodiegético confere-lhe um cariz de ficcionalidade, uma veia que apenas de denota no extravasar, contido, de algumas emoções nas situações de maior agitação, sendo tudo o demais factos, situações e relações conhecidos pela História, comprovados em diários, cartas, jornais e demais registos escritos. Pareceu-me que o autor não conseguiu encarar a rainha como uma personagem, tendo sempre presente ter-se tratado de um pessoa de carne e osso, o que limitou o cariz ficcional.

O enredo abarca, naturalmente, a vida de D. Amélia, desde a sua infância à sua morte, expondo-lhe o historial familiar, e várias facetas, tais como a consciência política, a preocupação e carinho pelo povo português, o empenho e discrição nas obras de caridade, sem esquecer o regicídio e demais movimentos republicanos.

A tendência a enfileirar uma quantidade de nomes, títulos e cargos tornou por vezes a leitura aborrecida, na medida em que apesar das notas de rodapé informarem sobre a sua identidade, a maioria não passou de nomes, muitos dos quais mencionados apenas uma vez. Trata-se, no entanto, de uma obra que contribui para o conhecimento deste período da História portuguesa, e em particular da última rainha de Portugal, levando inclusive o leitor a questionar-se sobre como teria seguido a nossa História caso D. Amélia reinasse de facto, e não fosse apenas consorte.

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