“D. Leonor: O Tempo da Ira”, D. Luiz de Lancastre e Távora

capa

TÁVORA, D. Luiz de Lancastre e – D. Leonor: O Tempo da Ira, Lisboa, Quetzal, 2002

Sinopse: Em Setembro de 1758, o rei D. José sofreu um atentado. A partir daí, desenvolveu-se um processo de perseguição a algumas das famílias do Reino, sobretudo o Duque de Aveiro e o Marquês de Távora, perseguição que culminou num julgamento e numa execução que excedeu em barbarismo todos os limites do imaginável.

Os bens dos Távora foram confiscados, as pedras de armas picadas, as terras salgadas, as mulheres separadas dos filhos e encerradas em conventos. D. Leonor foi executada juntamente com o marido, os dois genros e os criados mais fiéis. As filhas foram encerradas em conventos e os netos obrigados a professar. Sem opositores, o Marquês de Pombal pôde exercer livremente o seu poder. Os Távora foram executados em Belém, no Chão Salgado, onde ainda hoje existe um pelourinho.

Opinião: Os feitos bons e maus de Sebastião José, conhecido por Marquês de Pombal, são já conhecidos por qualquer um que tenha assistido às suas aulas de História. Tal como a sua resposta rápida à reconstrução de Lisboa depois do terramoto de 1755 não se esquece, também não se olvida a expulsão dos judeus e das ordens religiosos, bem como a violenta execução dos Távora, uma família poderosa que lhe ameaçava o poder, no que a meu ver foi uma das maiores demonstrações de injustiça ditatorial na História de Portugal.

É este “julgamento” dos Távora que este livro aborda, partindo essencialmente de D. Leonor Marquesa de Távora, já no seu cárcere, à espera da execução, onde memórias antigas, da sua infância, da ida à Índia com o marido, eleito Vice-rei, e do regresso em que a desonra estala quando descobrem das infidelidades da nora com o rei nos vão dando a conhecer mais sobre este personagem e a sua família. Com um narrador heterodiegético, um estilo de narração culto, mas acessível, nota-se no autor uma certa parcialidade em relação à caracterização de D. Leonor, mulher que notoriamente admirou.

Alternadamente surgem de igual forma cartas de um Abade ao seu senhor, informando-o do que se vai desenrolando em relação ao processo dos Távora, culminando na descrição da execução, e permitindo uma visão mais geral ao leitor, que de outro modo ficaria com o seu conhecimento limitado ao da Marquesa.

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