“Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia, Vol. III”, VVAA

capa

VVAA – Antologia Fénix, Ficção-Científica e Fantasia, Volume III, [Porto], Ficções Phantasticas, 2013

Sinopse: Constituída por mini contos de autores de língua portuguesa e castelhana, cujo tema comum é o Natal.

Pode ser adquirida aqui.

“Biscoitos de Natal”, Alexandra Rolo: Uma subversão da tradicional espera feita pela criancinha ao Pai Natal, onde não faltam os biscoitos e o copito de leite. A narrativa precisa ainda de alguns refinamentos como, por exemplo, repetição de vocábulos, em especial o conector “e”.

“Um Conto de Natal”, Álvaro de Sousa Holstein: Ultimamente esta criatura parece encontrar-se por todo o lado, tornando o seu domínio quase tão real como o é neste conto. Uma boa escrita, onde se destaca o trecho final. Pareceu, no entanto, mais um começar que um conto finalizado.

“Uma Questão de Nervos”, Ana Luiz: Situações como bullying e consequências de o mesmo ser ignorado são transportados para a oficina de Saclaus. Algumas falhas de pontuação, mas no geral bem escrito.

“Um Último Presente”, Anton Stark: A maioria das revoltas de quadra natalícia é protagonizada por elfos. Aqui é pelo próprio Nicolau, por razões que, não sendo ditas directamente, ficam mais do que subentendidas no texto. Boa premissa e boa prossecução.

“Frio, Cada Vez Mais Frio”, Carina Portugal: O estilo e ambientação fizeram-me lembrar “A Menina dos Fósforos”, com um brinquedo de iniciativa metido ao barulho. Comovente.

“Tomar a Nuvem por Juno”, Carlos Alberto Espergueiro: Um conto onde a oferta de presentes que ninguém questiona traz segundas intenções por quem o faz. Não muito original.

“Natal no Abrigo”, Carlos Silva: Em poucas palavras, o autor consegue dar uma boa ideia do mundo pós-apocalíptico onde se situa o conto. O uso de vários símbolos, objectos e actividades que associamos ao Natal encontram-se presentes, subvertidos – ou adaptados – com mestria aoworldbuilding.

“O Presépio”, Carol Louve: Premissa excelente com uma boa prossecução. Aquele que tem sido o milagre de Natal, torna-se num conto de horror através de uma nova perspectiva.

“A Revolução Polonórtica”, Daniel Libotani Gomes: Mais um conto em torno de revolução proletária. Apesar de ser uma ideia cujas prossecuções por cada autor despertam o interesse, o autor apressou demais a narrativa e acontecimentos.

“Disfraces”, Francesc Barrio: Um conto a fazer uma boneca russa. Simples, mas bem conseguido.

“Noite de Sonho”, Gabriel Martins: Prende-se a um momento, destacando-se pelas personagens. Exalta o cariz de sonho que, apesar de não lhe pertencer em exclusividade, é tantas vezes associado ao Natal.

“O Primeiro Natal ao Vivo e a Cores”, João Rogaciano: Boa premissa com boa prossecução narrativa. Contudo, ficaram alguns nós por atar, e pareceu-me que o ódio violento do narrador pela outra personagem foi demonstrado demasiado cedo, quando não havia ainda razão para tal.

“Diálogo no Polo Norte”, Joel Lima: Fez-me lembrar aquelas pessoas a quem não se sabe o que dar, porque o que querem ou precisam já têm. Grande parte do conto é a contextualização, desenvolvendo-se depois com rapidez durante o diálogo, até ao final, onde a identificação do interlocutor faz o principal twist.

“Pinheirinho”, Luís Corujo: Divide-se em duas partes, sendo que a primeira, apesar de essencial para compreender a segunda, peca porinfodump. Tenta-se dar muita informação em poucas palavras, acabando por se tornar ligeiramente enfadonho, e por vezes é necessária a releitura para que o leitor não se perca. A segunda parte, mais ligeira e retratando uma situação cómica, acaba por ser o melhor do conto.

“Filhós e Azevinho”, Manuel Mendonça: Contém algumas falhas de pontuação. O enredo centra-se em torno do prato especial de Natal de uma aldeia (Norte profundo, deduzindo pelo sotaque colocado nos diálogos), e na fonte do ingrediente principal do mesmo. Uma boa premissa.

“Missão de Colonização”, Marcelina Leandro: Uma versão do surgimento da Terra que se insere mais na Ficção Científica, seguindo o método de “gravação” na narrativa.

“Noite de Surpresas”, Nuno Almeida: Começa com a ambientação esperada e clássica do menino pobre à espera do Pai Natal, até o twistmais ou menos a meio o virar de direcção. O final é o ponto alto. Simples, mas bem conseguido.

“Os Três Fantasmas”, Ricardo Dias: Um pequeno acréscimo ao conhecido “A Christmas Carol”, de Dickens, onde as motivações e identidades dos três fantasmas são reveladas. Desenvolve-se essencialmente através do diálogo, o qual nem sempre parece natural.

“Julgamento de Natal”, Rui Bastos: De certo modo, uma exploração do carvão e da visão dos seus receptores – algo ainda mais mítico que a própria figura do Pai Natal, já que nunca se soube de alguma criança que o tenha recebido. Uma boa premissa, bem escrito no geral (falhou em algumas vírgulas), mas esperava mais do final.

“Conto de Natal”, Rui Ramos: Trata-se de um recontar do nascimento de Cristo, onde alguns detalhes são acrescentados, sem no entanto perder o espírito de origem.

“Santa Claus Sideral y la Gota de Oro Navideña”, Samir Karimo: Boa ideia de enredo, contudo, decorre com demasiada rapidez. O conto teria ganho em ter-se extendido mais.

“O Último Natal”, Vitor Frazão: Apesar de se concentrar no casal, o autor dá-nos o suficiente do worldbuilding tanto para conhecermos a situação, como para compreendermos o significado e possíveis repercussões dos seus gestos, nomeadamente o gesto final de Mr Clay. Um bom enredo, com personagens capazes de afectar o leitor, e uma escrita cujos elementos (diálogo, descrição, etc) mantêm o seu equilíbrio, prendendo o interesse.

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