“Antologia Fénix de Ficção Científica e Fantasia, Vol. II”, VVAA

capa

VVAA – Antologia Fénix de Ficção-Científica e Fantasia, Volume II, [Porto], Ficções Phantasticas, 2013

Sinopse: Constituída por mini contos de autores de língua portuguesa e castelhana, cujo tema comum é Halloween. Noite de bruxas, seres imaginários, mortos e outros, tudo o que pode imaginar que acontece numa noite das Bruxas.

A antologia pode ser adquirida gratuitamente aqui.

Opinião:

“Noite Vermelha”, Nuno Almeida: Ideia simples e não propriamente surpreendente, mas bem executada. Gostei particularmente da frase final. 

“Como Sempre os Pedidos das Crianças Começavam a Meio de Outubro”, Joana Andrade: O mais curioso neste conto é a inversão das imagens-tipo que costumamos ver do pai e da mãe. Em relação às personagens e ao final, é nos dado o suficiente ao longo do texto para adivinhar o twist final.

“O Fim”, Luís Corujo: O conto cobre a Noite dos Demónios, a Noite das Bruxas e o Dia dos Mortos, deixando-se à interpretação do leitor – o Apocalipse? Fim do mundo? Era das Trevas?
É de ressalvar o vívido das descrições, que facilmente oferecem ao leitor a sua visualização. 

“O Grande Disco Brilhante”, Lima da Costa: Apanhamos o Conde no final da sua viagem até ao país onde a noite se alonga mais que o dia, permitindo-lhe maior liberdade de movimentos. O sentido de orientação, no entanto, falha, revelando-se o seu maior erro. Uma leitura engraçada, mas que se fica por aí.

“Cinema em Casa”, Ricardo Dias: Uma escrita directa, umas vírgulas a mais, e essencialmente um humor leve, invertendo o que são as noções e as criaturas do horror, para os colocando numa situação comum. 

“Os Verdadeiros Monstros”, Vitor Frazão: Uma boa premissa, uma boa narração um bom twist. Apenas as personagens, conquanto fossem igualmente boas, não pareceram estar a cumprir toda a sua potencialidade: senti falta de saber mais sobre elas.

“Truco Sin Trato”, Sergio Gaut vel Hartman: Mi gustó el uso del twist en el cliché, pero el final no parece completa. 

“Tempos Modernos”, Álvaro de Sousa Holstein: Com os novos tempos e as crenças dos seres humanos a desaparecerem, também as outras criaturas precisam de se actualizar. Um conto que ganha o seu verdadeiro “momento” com o trecho final.

“Bob Esponja Pasó Corriendo Delante de Mi Casa”, Francesc Barrio Julio: Buen uso de la idea “No es lo que parece”, pero no vi la conexión entre la primera parte y la secunda.

Delirios Fantasmales”, Samir Karimo: El texto mezcla fantasía con filosofías literarias, usando varios escritores. Idea interesante, pero no entretén mucho, y no me gusto el cariz filosófico.

“Um Amigo”, Marcelina Gama Leandro: Deixando ver, nos disfarces, o Halloween actual, aborda mais o prisma de “Todos-os-Santos”, com a inocência e encanto de uma criança. O final carece de maior desenvolvimento. 

“A Água que Há-de Correr”, Ana Luiz: Apenas no final compreendemos o título, mas nessa altura compreendemos o quão bem escolhido foi. O conto parte da diferença de culturas para um faz-de-conta, e um final que suspeitei apenas algumas linhas antes, quando li a oração que ficou por dizer. A única falha que lhe aponto, a meu ver, é não sabermos a razão para lhe ter acontecido o que aconteceu.

“Noite de Bruxas”, Ana Cristina Luz: Um sentimento de culpa, um amor (ou paixão idealizada?) e uma aparição em Noite de Bruxas são os elementos deste conto, simples e de leitura fácil, mas agradável.

“A Velha”, Inês Montenegro: Moving on.

“A Peruca”, Jorge Palinhos: Inicialmente parece tratar-se de uma história de amor-que-é-obsessão, mas à medida que a história avança, começamos a desconfiar do narrador/protagonista, até ao momento em que as suas acções e palavras tornam impossível não ver o que está diante de nós. Gostei bastante do modo como foi tratado, tendo, no entanto, achado a frase final um pouco fraca para o restante do conto. 

“Já Sinto”, Carina Portugal: Uma nova perspectiva sobre a função de um coveiro, e até mesmo sobre o coveiro em si. Boas ideias e divertido, não só pelo enredo principal como pelos detalhes da jurisdição, por exemplo. 

“A Pergunta”, Joel Puga: O autor faz uso de lugares-comum na invocação de espíritos para no final se sair com algo inesperado e cómico da sua idiotice. A acção decorre rapidamente a partir da segunda parte, provavelmente devido ao limite de palavras, mas estranhei que pelo menos o coelho não desse maior luta.

“Jardim das Lamentações”, Rui Ramos: Temos a narração em primeira pessoa de um violador, seguindo duas vozes: distúrbio de personalidade? O final implica ser mais do que isso. Apesar de ser bastante introspectivo, o autor consegue dar uma boa ideia do contexto físico e das acções que rodeiam a personagem.

“A Bruxa”, Lucas Rodrigues : Segue uma ideia e um enredo bastante esperados, havendo algumas falhas em relação à pontuação. Julgo que tem potencial, mas carece de ser melhor trabalhado. 

“Doces ou Travessuras?”, João Rogaciano: Começamos por ter um setting regular de um conto de Halloween, com ênfase nos doces e na criançada. A meio, no entanto, desconfiamos do narrador, cuja identidade constitui a reviravolta final. Uma leitura agradável, que subverte o comum.

“Pimentas Vermelhas”, Diana Sousa: O estilo da narrativa foi, sem dúvida, o que mais gostei deste conto: os detalhes, as ironias, as imagens que evoca, e até mesmo o humor. Em relação ao enredo, correu tudo muito bem até chegar ao final que, honestamente, não compreendi na sua totalidade. Talvez com maior desenvolvimento chegasse lá. 

“Noche de Espantos”, Rafael Marín Trechera : Un cuento pequeño pero eficaz. Muy directo.

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