“A Mulher de Mármore”, Joana Miranda

MIRANDA, Joana – A Mulher de Mármore, Barcarena, Presença, 2007

Sinopse: Este novo romance de Joana Miranda, tal como os anteriores, seduz rapidamente o leitor pela intensidade emocional que a autora imprime à história, assim como pela riqueza, o colorido e a sensualidade da sua escrita. Vera, Gil, Maria, Francisco são as personagens que constelam e polarizam a narrativa, ponto de partida para o desenrolar das relações. As suas vidas e os seus mundos interiores estão em permanente processo de construção e deconstrução, ora cruzando-se ora recolhendo-se dentro de si próprios. O leitor parte assim à descoberta de algo que primeiramente se apresenta como um mistério, para entrar no íntimo das personagens, que se vão revelando pela sua própria voz, e encontrar o fio condutor ao longo das complexidades do enredo. A estátua da mulher de mármore que obceca Gil é simultaneamente realidade e metáfora da busca de cada um deles. E se é verdade que os amores e desencontros entre as personagens constituem aspectos que prendem fortemente a atenção ao fluir da narrativa, não é menos verdade que o leitor acaba por sentir o apelo nostálgico de qualquer coisa indefinível dentro de si mesmo. Esta é a arte peculiar de Joana Miranda, a de criar e contar situações e perfis com os quais nos identificamos, para subtilmente nos reconduzir ao nosso próprio mistério e partilhar connosco o seu exuberante amor pela vida.

Opinião: Contrariamente ao que diz a sinopse, não me senti nem seduzida, nem uma intensidade emocional. Senti sim que o livro era um polvilhar de lugares-comuns: em termos de enredo, segue a linha de “mulher só fica completa e feliz quando está com homem”, algo que deixa antever logo no início, e que me indispôs para o resto da leitura. Em alguns momentos, chegou a parecer forçado, como foi o caso da descoberta que Maria partilha no final sobre o quadro do balão. E, por fim, no que ao enredo diz respeito, o grande mistério de “quem é o autor da mulher de mármore?” é facilmente antevisto, devido não apenas às várias “pistas” que são dadas ao longo da narrativa, como também pela compreensão que o leitor tem de que a autora procurou manter o foco num pequeno núcleo de personagens, mal havendo lugar para outras.

No que toca às personagens, considerei-as com algumas características que as diferem positivamente do tipo de personagens que costumamos encontrar no género do Romance, e ao mesmo tempo lhes atribuem realismo. Infelizmente, a única que não detestei foi Francisco, e mesmo com esse não fui capaz de criar qualquer tipo de empatia, possivelmente por ser, dos quatro, o que menor “tempo de antena” e desenvolvimento tem.

Em relação à narrativa, nada tenho a apontar. Não se destacando quer pela positiva quer pela negativa, pareceu-me adequada ao romance. Fica apenas em dúvida se não teria ficado melhor um narrador em terceira pessoa em vez da primeira: é que apesar de termos capítulos narrados por Gil, Maria e Vera, nenhum tem em termos narrativos algo que os diferencie, parecendo ser a narração de apenas uma pessoa, em vez das três que se pretendiam.

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