“A Morte é uma Serial Killer”, Valentina Silva Ferreira

capa

FERREIRA, Valentina Silva – A Morte é uma Serial Killer, Minas Gerais, Estronho, 2013

Sinopse: Conseguirão os assassinos em série redimir-se dos seus pecados? Conseguirá um tratamento psiquiátrico levá-los à redenção? Ou será que a Morte é a melhor terapia?

Em 2057 é promulgada, pelos estados membros das Nações Unidas, uma lei que obriga o cumprimento da pena de todos os assassinos em série do mundo, na Unidade de Segurança e Reinserção de Assassinos em Série, em Lisboa, Portugal.

Dentro do Hospital, Erika (diretora), em conjunto com os seus colegas (Carl e Lidls) e contando com o apoio do Ministério da Justiça, cria um programa psiquiátrico que, segundo ela, levará os homicidas a arrependerem-se das suas atrocidades.

Mas quando o tratamento parece começar a dar resultado…

Opinião: Escrita por uma autora portuguesa e publicada no Brasil, a noveleta encontra-se dividida em três partes, todas elas estruturadas em capítulos curtos, os quais oscilam entre o presente da narração e várias analepses referentes às cinco personagens principais, os assassinos em série. Na primeira parte são-nos apresentados os ditos assassinos, as suas histórias, e qual a intenção do projecto que os utilizará como experimentos. Na segunda recuamos no tempo e temos contacto com um casal, Duarte e Vitória, bem como com a sua tragédia. É na terceira parte que as duas linhas se cruzam, trazendo o final da história.

Apesar de a sinopse situar a história por volta do ano de 2057, durante a leitura não encontrei indicações do espaço temporal, julgando tratar-se de algo propositado, de modo a fornecer-lhe alguma intemporalidade. O espaço local, a casa vitoriana a que própria capa (lindíssima, by the way) parece chamar a atenção, e a premissa da narrativa em geral agradaram-me. Julgo, contudo, que poderia ter havido uma maior aposta no desenvolvimento, através do aprofundamento das sessões da terapia, que acabaram por ser poucas, e das próprias personagens – não me referindo aos assassinos, que tiveram a devida atenção, mas aos médicos, que parecem encontrar-se lá de fugida.

Em termos de escrita, notei-lhe algumas falhas. Desconhecia algumas expressões, mas foram raras e tal deveu-se ao facto de serem expressões madeirenses que eu, como continental, não detinha no vocabulário. No entanto, o uso de “moribundo” em relação a personagens que já se encontravam mortas não pode ser correcto, visto que não são sinónimos – um moribundo pode estar prestes a morrer, mas ainda se encontra vivo. Também o uso de alguns pronomes – não todos – antes do verbo em vez de ser depois me pareceu erróneo. Contudo, com excepção dos casos mencionados, a narração é aprazível no seu geral e sem demais falhas, seguindo o Novo Acordo Ortográfico e fornecendo algumas notas explicativas quando estava em causa um vocábulo desconhecido ao Português Brasileiro, visto que apesar de editado no Brasil, a Editora optou por o manter no Português Europeu com que foi escrito, conciliando assim as duas variações.

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