“A Dominadora”, Ana C. Cruela

capa

CRUELA, Ana C. – A Dominadora, [s.l.], Lua de Papel, 2013

Sinopse: A história real de uma dominadora portuguesa. Ana tinha doze anos quando os pais a arrastaram para uma exposição em Coimbra. Queria ir para a praia, com os amigos, mas em vez disso descobriu-se no Palácio da Inquisição. A exposição, sobre instrumentos de tortura, mudou-lhe a vida para sempre. Enquanto desfilava entre cadeiras de pregos medievais, cordas, correntes e ganchos retorcidos, uma estranha excitação começou a apoderar-se dela: sentia-se em casa. Foi um momento de revelação. Tudo começava a fazer sentido para aquela adolescente que desde cedo tinha embarcado num mundo de fantasia ao contrário. Nas suas brincadeiras não havia príncipes nem princesas – os Ken eram tratados como escravos por Barbies implacáveis, que os amarravam e chicoteavam sem piedade. Ana cresceu a esconder esse segredo – e a enfrentar as humilhações dos colegas da escola, que não lhe perdoavam o excesso de peso. Mas no seu mundo privado, no reino do sado- masoquismo, começava ela a ditar as regras. Teve o primeiro encontro, o primeiro submisso, a primeira sessão de dominação. Aos poucos mergulhou nesse mundo paralelo, feito de encontros com sabor ilícito, candidatos a submissos, festas de BDSM. Ana, a discreta engenheira, emagrecera, perdera os medos, tinha agora outra vida e outro nome: era a Cruela, uma dominadora respeitada, poderosa.

Opinião: Vamos começar pela estrutura. Os capítulos não seguem grande ordem, e a bem verdade parece que foram escritos independentemente, tendo sido depois a sua disposição sorteada pela autora. No entanto isso é o menos, visto que não altera a compreensão do enredo… Talvez porque o enredo propriamente dito não existe. Trata-se de um juntar de “memórias” e “experiências” da autora enquanto Dominadora e Submissa no meio BDSM, supostamente reais. Porquê supostamente? Porque a coisa, que até me engasgo se lhe chamo “livro”, limita-se a pegar em ideias erróneas e pré-concebidas do público em geral e a dar-lhe ainda mais azo. O meu conhecimento sobre o assunto é limitado, verdade, na medida em que não é das minhas preferências, mas até eu sei que quem de facto tem o poder é o sub – e que há uma grande diferença entre uma relação de confiança e respeito, em que se dá e recebe, e uma relação de abuso, em que o dom está apenas interessado em si próprio, e pouco lhe interessa se o sub está a aproveitar ou não. A isto acrescenta-se que um dom que encara o sub como fraco por utilizar a safeword… Bom, existem ordens a dar a um dom destes, mas nenhuma delas são educadas, e esta é a parte dareview em que eu tento ser educada e escrever de forma mais ou menos imparcial e lógica, de modo a justificar convenientemente porque é que não gostei desta coisa.

Em relação à escrita, é muito fraca. Para além de erros como “éramos” e confusão entre o “por que” interrogativo e o “porque” de resposta, a escrita é muito básica, monótona e repetitiva. Há muito poucas descrições de sexo que sejam piores do que o constante “movimento de vai e vem”. Aqui, a autora conseguiu não apenas o “vai e vem”, como também essas poucas descrições piores, com uma purple prose de ir aos céus: “a entrada da poça de licor quente na qual a minha vagina se transformara.” Poesia pura.

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