“Viagens na Minha Terra com Vampiros”, Almeida Garrett e Pedro Calvete

capa

GARRETT, Almeida; CALVETE, Pedro – Viagens na Minha Terra com Vampiros, Lisboa, Arcádia, 2010

Sinopse: Provavelmente não há nada mais romântico na literatura portuguesa do que a menina dos rouxinóis a morrer de amores nas Viagens na Minha Terra.

Provavelmente não há novela mais gótica do que o Drácula de Bram Stoker.

Provavelmente não há nada mais romântico na literatura europeia do que as novelas góticas.

Faltava qualquer coisa gótica na literatura romântica portuguesa.

Faltava qualquer coisa romântica na literatura gótica portuguesa.

Depois das Viagens na Minha Terra com Vampiros já não falta.

Opinião: Provavelmente não há livro de leitura obrigatória que eu mais tenha detestado do que “Viagens na Minha Terra”. A história romântica foi muito mais vista como “dramalhice de personagens estúpidas” do que romântica, e o monólogo com o leitor (melhor dizendo, com as leitoras) aborreceu-me sobremaneira.

Provavelmente estaria a cometer um erro crasso ao comprar este livro – então que raio me possuiu para o fazer? Duas simples razões: curiosidade e promoções. Acabei por não me arrepender por aí além.

A história da Joaninha e do Carlos mantém-se como o original, com uma pequeníssima diferença mesmo no final, a lançar a ponte para a vampiragem que, aí sim, alterou o tal monólogo que eu costumava usar como substituto dos carneiros durante as noites de insónia. Esse acrescento e alterações tornaram-se numa mais-valia, tornando a narração e o enredo bem mais interessantes – gostei particularmente de no início se ter julgado que o vampiro era um Minotauro, apesar de não ter grande relevância.

Infelizmente, nem tudo são rosas e algumas passagens ainda exigem um certo esforço da leitora para serem lidas e ultrapassadas.

Numa última nota, convém informar sobre a diferença de fontes: as partes escritas por Pedro Calvete encontram-se mais claras que as de Almeida Garrett, diferenciando assim o original do que foi mais recentemente desenvolvido. Pessoalmente, não considerei a diferença tão importuna ao ponto de me incomodar a leitura, gostando até de ter um modo simples e eficaz de diferenciar quem escreveu o quê (convenhamos que ao fim de uns anos já não me lembro da obra palavra por palavra, e Pedro Calvete não se limita a acrescentar “vampiro” no final das frases), no entanto, é preciso atender ao esforço extra que a tonalidade escolhida obrigou os olhos a fazer. Um outro método é algo a ponderar.

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