“Um Cappuccino Vermelho”, Joel G. Gomes

capa

GOMES, Joel G. – Um Cappuccino Vermelho, Lisboa, Joel G. Gomes, 2012

Sinopse: As pessoas que conhecem Ricardo Neves dividem-se em dois grupos: os que o conhecem como autor de policiais e os que o conhecem como assassino profissional.
Ricardo sempre cuidou para que estas duas facetas da sua vida não misturassem. Tudo se complica quando recebe uma lista de alvos demasiado próximos do seu mundo de escritor. A colisão torna-se inevitável e Ricardo não tem como a impedir.
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João Martins é um escritor com prazos para cumprir e sem ideias para desenvolver. Até que tem a ideia de escrever sobre um escritor que é também assassino profissional.

A surpresa acontece quando pessoas à sua volta começam a morrer tal e qual ele descreve no seu livro. A dúvida surge de imediato: estarão as mortes a acontecer porque ele as escreve ou será ele um mero narrador de eventos predestinados a acontecer?

Opinião:  A ideia deste livro é boa, o seu desenvolvimento é que falhou. Logo no começo, temos um infodump sobre café. Não lhe vi particular necessidade para o enredo, e a haver, mais valia guardar as informações para mais tarde e ir inserindo-as aos poucos, em vez de despejar tudo logo de imediato, naquele primeiro momento em que convinha cativar o leitor para dar uma oportunidade à história.
Isto, no entanto, repete-se ao longo da narrativa: várias vezes houve uma concentração e desenvolvimento de detalhes sem importância (a descrição pormenorizada da pizza no microondas ou a ida ao supermercado para comprar natas, por exemplo), ou uma dramatização exagerada à volta de banalidades, como o facto de Ricardo não gostar de peixe, estar num restaurante em que já só havia peixe, e ele decidir ter de aguentar e comer o peixe por não querer atrair atenções sobre si – dizer ao empregado que não deseja nada, levantar-se e ir a outro restaurante não atrai as atenções de ninguém.
Inversamente, o desenvolvimento de outros aspectos do enredo que teriam maior interesse pareceram ter sido deixados mais de lado, quase tratados com superficialidade.
A pesquisa para o desenvolvimento dos inquéritos e do julgamento não me pareceu muito fidedigna. Notava-se uma certa falta de conhecimento, aliada a uma estereotipagem do agente da autoridade agressivo e estúpido. Aliás, a maioria das personagens carecia de um melhor desenvolvimento e background.

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