“Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa”, VVAA

capa

VVAA – Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, Lisboa, Saída de Emergência, 2011

Sinopse: Poucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.

Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo.

Opinião: Não tendo grande conhecimento sobre a pulp fiction em geral, decidi adquirir e ler o livro exactamente para ganhar algumas bases. “Até tem biografias dos autores!” Qual não é a minha surpresa quando acabo de o ler, pesquiso sobre o mesmo, e descubro que os contos são todos relativamente recentes e as biografias inventadas? Após o “wait, what?” inicial, tenho de admitir que o trabalho foi bem feito e minucioso – embora considere a falta de uma notinha final explicando o conceito para que aqueles que não tenham o hábito de pesquisar os livros na internet não se venham depois a sentir logrados.

A intenção inicial, que seria adquirir alguns conhecimentos base sobre este género de literatura, também foi alcançada. Fiquei abismada com a sua variedade: sabia que esta existia, mas não a este ponto. A ideia que eu tinha de “leitura rápida, esquecimento rápido” revelou-se errónea, pelo menos em relação a alguns dos contos narrados. Não esquecerei tão cedo “A Ilha” (que me fez recordar um pouco “Cell”, de Stephen King), “A Noite do Sexo Fraco” (mais pelo cómico dos cortes e das notas de rodapé do que pelo conto em si), “Noites Brancas” ou “Mais do Mesmo!” (curiosamente, aquele para com o qual tinha mais reticências. O começo parecia-me confuso e sci-fi nunca me atraiu. Acabou por se explicar sem confusões, com um enredo e leque de personagens atractivas).

Gostando mais de uns contos, menos doutros, é, no geral, uma boa leitura, de uma organização minuciosa.

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