“Orbias: As Guerreiras da Deusa”, Fábio Ventura

capa

VENTURA, Fábio – Orbias: As Guerreiras da Deusa, Alfragide, Casa das Letras, 2009

Sinopse: Noemi é fã de cinema e séries de acção e aventura. Mas nunca imaginou que ela própria faria o papel de uma dessas personagens que de um momento para o outro vêem a sua via normal dar uma volta de 180 graus. De uma forma pouco ortodoxa, descobre que é um Anjo, uma Guerreira ancestral renascida e que, numa dimensão paralela à da Terra, existe um mundo mágico regido por uma Deusa – Orbias.

Mas Noemi não terá apenas de lidar com os seus novos poderes e responsabilidades. Terá também de se confrontar com perigos e emoções aos quais não estava habituada, especialmente um sentimento em relação a Sebastian, um orbiano sedutor… Conseguirá ela superar a sua fragilidade e conflitos interiores para salvar os dois mundos da destruição?

Opinião: Comecei a ler o livro com o pé errado. Porquê? Porque apesar de saber que é literatura juvenil, não me tinha efectivamente consciencializado disso. Após uma pequena pausa para resolver esse assunto, a leitura correu melhor. A história, ainda que não seja propriamente nada de novo, é interessante e corre a um ritmo muito bom. De facto, o encadear dos acontecimentos é dos factores mais positivos do livro, pois mantêm um bom avanço, que facilita muito a leitura – praticamente não nos apercebemos das folhas a passar.

O mundo de Orbias, com as suas diferenças e similaridades com a Terra, tem um bom potencial a ser explorado, e gostei tanto do pormenor de não ser perfeito, como do facto de essas imperfeições serem, a bem ver, as mesmas que as da Terra.

Outro pormenor que me chamou positivamente a atenção foi a utilização de figuras históricas portuguesas como materialização dos Entes Padroeiros. Diverti-me a adivinhar quem eram – coisa não muito difícil de se fazer, diga-se de passagem.

Contudo, também existem pontos negativos a serem apontados, e infelizmente não são leves. O primeiro, e que me chamou logo a atenção, foi a escolha do narrador. A história é narrada na primeira pessoa, todavia, tive sempre a pairar sobre mim a sensação de que, pelo modo como estava escrito, a terceira pessoa teria resultado muito melhor. Aliás, não fosse a existência do “eu” na narração, e julgaria que estava mesmo a ler na terceira pessoa.

O segundo, e aquele que mais me incomoda, é o ridículo de alguns diálogos e discursos. Não pretendo ofender o autor com o emprego deste adjectivo, mas houve ali alturas em que verdadeiramente revirei os olhos. “Meu lobão lindo e sexy”? Os discursos antes da primeira batalha? Praticamente todo o episódio com o rei das fadas? Não foi, definitivamente, bem feito.

Também não gostei particularmente do uso de “material” típico de anime, como a menção às gotas na cabeça e pontos de interrogação. Sei que grande parte da inspiração veio das Sailor Moon, mas existem recursos que funcionam melhor numas coisas que noutras. Ainda assim, julgo que isto é o menos e não grave por aí além, pois interpretei como sendo uma forma de expressão da Noemi, a narradora: mas neste caso, poderia dar-se a entender algum tipo de gosto dela por animes, mangas, etc, de forma a não parecer que aquilo caiu ali do nada.

E por falar em cair do nada: a relação da Noemi com Sebastian é algo que, não sendo negativo, precisa de ser aprimorado. É verdade que mais tarde temos acesso a uma informação que pode explicar a rapidez da paixão de Sebastian, mas ainda assim julgo que houve falhas neste começo, onde parece que aprenderam os nomes um do outro e se apaixonaram imediatamente. É uma sensação que permanece mesmo depois de termos conhecimentos sobre o passado do Sebastian.

Por fim, já só tenho a apontar a imaturidade das personagens. Os seus comportamentos e acções muitas vezes não coincidiam com a idade que detinham. Elas não são adolescentes, já são jovens mulheres no início da sua vida adulta, e algumas delas foram inclusive obrigadas a crescer antes do tempo pelas dificuldades que se lhes colocaram ainda antes mesmo de serem Guerreiras. Encontrar este desfasamento numa ou outra é natural, pois nem todas as pessoas têm o mesmo crescimento psicológico, mas no grupo em geral não. Felizmente é algo que pode ser facilmente corrigido, e espero que efectivamente o tenha sido no segundo livro da saga.

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