“O Fim Chega numa Manhã de Nevoeiro”, Renato Carreira

capa

CARREIRA, Renato – O Fim Chega numa Manhã de Nevoeiro, [Lisboa], Saída de Emergência, 2001

Sinopse: Quando um grupo de feiticeiros renegados decide despertar uma personagem maldita da história portuguesa para cumprir uma profecia de séculos, Baltazar Mendes (investigador policial a quem acusaram de loucura!) vê-se envolvido contra sua vontade num conflito mortal em que nem todos os oponentes são humanos. Tudo dependerá de si porque, se a profecia se cumprir e o desejado regressar, o fim chegará numa manhã de nevoeiro. Uma aventura frenética, metade thriller, metade fantasia, que apresenta uma nova e talentosa voz do fantástico nacional.

Acontecem coisas sinistras pelas ruas de Lisboa. Coisas que nos escapam ou que preferimos ignorar por falta de explicação. Também Baltazar Mendes as ignoraria, se pudesse, e talvez assim não se visse tristemente reduzido de inspector policial a sujeito compulsivo de uma avaliação psiquiátrica para determinar se é ou não um louco assolado por delírios mirabolantes e um perigo para a sociedade. Mas sabe bem que não são delírios. A culpa é do Sr. Salcedo, um investigador paranormal que insiste em arrastá-lo para um submundo de que não quer fazer parte. E tudo porque Baltazar tem um dom. Ou uma maldição…

Opinião: O título deste livro atraiu-me quando me passeava pela livraria, actualizando as novidades e jurando que não iria comprar nada – a pilha da mesinha de cabeceira já me caiu ao chão uma vez, não precisa de mais incentivos –, e apesar de a sinopse ter aguçado a curiosidade, consegui manter a resolução… Até dois dias depois, quando me dei conta que não tinha nada para ler na viagem de metro, e disparei até à Fnac mais próxima.

Não me arrependi. A escrita divertida e irónica, capaz de uma leitura aprazível enquanto se mantém cultural, agarra o leitor logo de imediato numa trama que envolve fantasia, mitos portugueses, momentos de suspense, personagens históricas muito nossas conhecidas e operações secretas – naturalmente perigosas, como não podia deixar de ser.

As personagens do enredo encontram-se bem construídas e desenvolvidas, com uma originalidade deliciosa – excepção, a meu ver, em relação a Helena, sobre a qual me absterei de comentários por risco de spoilers –, tanto as secundárias como a principal e narrador da história, Baltazar Mendes, sendo que pura e simplesmente ansiava pelas interacções entre elas.

O final, ainda que o esperado, revelou-se com um detalhe que lhe atribuiu o factor surpresa, tanto para o leitor como para Baltazar – e mais uma vez me calarei, não desejando estragar a leitura de ninguém.

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