“O Evangelho do Enforcado”, David Soares

capa

SOARES, David – O Evangelho do Enforcado, [Lisboa], Saída de Emergência, 2010

Sinopse: Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens

Opinião: Inicialmente “assustada” pelo prólogo do livro, a sua leitura acabou por se revelar não tão árdua quanto isso. O autor enlaça romance histórico com fantasia tão bem quanto mistura palavreado culto com calão do mais baixo – e sim, sabe faze-lo. Mas o que em partes da história se revela um ponto a favor, noutras funciona no sentido inverso. Se por vezes determinadas acções ou linguajar cru – até mesmo de provocar um certo asco – se demonstravam como necessárias ao desencadear dos acontecimentos ou ao ambiente que se desejava transmitir, noutras pareciam estar lá para simplesmente tentar chocar o leitor. E nesses momentos, a única coisa que me chocava era exactamente isso: porquê recorrer a tais subterfúgios, quando são desnecessários?

O uso do latim foi outro ponto que não apreciei totalmente. Se por um lado atribuiu uma maior contextualização e fidedignidade aos diálogos, por outro, a minha falta de conhecimento sobre o significado do que era dito levou a que não lhes desse grande importância. Uma nota – de rodapé ou mesmo no final do livro – com as traduções teria enriquecido a leitura e resolvido o problema… É que nem todos nós temos a obrigação de saber a língua em questão.

Por fim, é de notar que o enredo esteve longe de ser escrito “às três pancadas”. Ao longo da leitura, nota-se a boa estrutura conseguida, assim como as pesquisas e estudos necessários para o mesmo.

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