“O Eremita Galego”, Pedro Miguel Rocha

capa

ROCHA, Pedro Miguel – O Eremita Galego, Setúbal, Esfera do Caos, 2011

Sinopse: “O Eremita Galego” conta-nos a história de Jorge Barros, Professor Universitário de Filosofia, de 50 anos, residente no Porto, que, num determinado ponto da sua vida – vergado por conflitos pessoais e profissionais e por uma devastadora intriga que o leitor acompanhará com emoção – sente uma inapelável necessidade de se refugiar num abandonado casebre postado na costa galega, na localidade de Muxía. Jorge viverá, então, a partir daí, durante vários anos, totalmente isolado do Mundo – dito moderno -, relegado, por opção própria, à quase única e exclusiva companhia do mar.

“O Eremita Galego” relembra-nos que, na vida, o único elemento que temos como verdadeiramente garantido é a mudança. Uma obra que nos faz reflectir sobre as vicissitudes da nossa existência, sobre a precariedade daquilo que temos como adquirido e sobre a facilidade com que o destino – com um simples sopro – altera o rumo das nossas vidas.

Opinião: Logo no início do livro sentimos curiosidade em avançar na história: narrado na primeira pessoa, apercebemo-nos que a personagem tem uma cultura e conhecimentos acima da média. Se assim é, como e por que chegou ao seu estado actual? Através de momentos presentes intercalados com memórias do passado, vamos conhecendo o homem que Jorge era e a sequência de eventos que foi alterando a sua vida até ao ponto actual – isto, durante a primeira parte do livro.

A estrutura da obra dá-lhe uma segunda parte, onde após uns anos vivendo como eremita – uma vivência que não foi particularmente salientada, apenas o necessário, e cuja evidência na sinopse julguei excessiva –, Jorge decide voltar a alterar o rumo da sua vida: afinal, porquê deixarmo-nos levar pelo desalento dos desgostos, quando a nossa utilidade se pode tornar num benefício tanto para os outros como para nós mesmos?

Trata-se de um livro que se lê bem num par de horas, cuja maior falha é quando o autor insere elementos externos à narração da personagem principal – o diário da filha e o capítulo final narrado por outrem, pois ainda que escritos pelo ponto de vista de personagens diferentes, nada os distingue do narrador principal, algo importante para diferenciar as personalidades das personagens, em especial quando se opta pela narração na primeira pessoa; e o relatório da polícia porque se assemelhou mais a um excerto de um romance do que ao profissionalismo de um relatório propriamente dito, o que lhe retirou veracidade.

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