“O Círculo do Medo”, Sandra Carvalho

capa

CARVALHO, Sandra – O Círculo do Medo, Barcarena, Presença, 2007

Sinopse: A norte reina uma paz instável nas terras dos Vinquingues que submeteram os Vândalos e Aesa, a sua rainha, sob apertado cerco; para Sul, estabeleceram-se o Império e a fé cristã, em boa vizinhança com a ilha dos Sonhos; muito longe, ainda mais para sul, fica a ilha do maquiavélico Sigarr, onde no último volume Edwina assistiu ao desaparecimento do seu amado Edwin nas águas profundas do oceano. Contudo, na sombra, os mestres da Arte Obscura conspiram: não desistem de se assenhorar das Pedras Mágicas da feiticeira Aranwen. Julgando Edwin morto, Edwina, a Rainha do Sol, desposa Ivarr, e todos esperam dela um herdeiro que perpetue a linhagem dos reis vinquingues. Mas será que mistérios ainda ocultos virão a alterar o rumo dos acontecimentos? Poderão, como profetizado, as essências do Sol e da Lua fundirem-se numa só, para darem origem a um Conhecimento superior, como o de um deus? Serão os nossos heróis suficientemente fortes e determinados para superarem todas as provas que o destino lhes impõe?

Opinião: Comecei a ler esta saga algures na minha adolescência, e há muito que não pegava nela. O receio de andar um pouco perdida com os acontecimentos e as personagens revelou-se infundado – rapidamente compreendi o que decorria e relembrei os eventos passados.

O que eu recordava era um gosto forte pelos dois primeiros livros, e um mais ou menos morno pelo terceiro. Este considerei aceitável. Não foi das minhas melhores leituras, também não foi das piores.

Da escrita tenho apenas a reclamar o uso excessivo de “a Guardiã da Lágrima do Sol”, “a Rainha do Sol”, etc, etc. Compreendemos bem o que chamam à Edwina sem a necessidade constante da referência deste título – curiosamente, quase sempre pronunciado por ela mesma (um hi5 a quem se refere a si mesmo na terceira pessoa!) De resto, é uma narração acessível, com um vocabulário variado, sem levar o leitor à necessidade de consultar o dicionário para compreender o que está a ler.

Em relação ao enredo, este desenvolve-se lentamente, e muito mais a nível de dramas pessoais do que entre os povos em geral, embora eles apareçam vez ou outra para dar andamento à trama.

O que realmente me entornou o caldo foi a personagem principal, a referida Edwina: é difícil mantermo-nos impassíveis quando lutamos com a vontade constante de mandar um bom par de estalos a quem está a narrar a história. A rapariga é arrogante, convencida que é a senhora da verdade, empenhada em impingir aos outros aquilo que elaacha ser a felicidade, não aprende com os erros, e é um verdadeiro nariz empinado – opinião em que não me devo encontrar sozinha, a atender às palavras da Velha do Tronco Oco. Ouviste, Edwina? Até outras personagens deste livro partilham a minha opinião sobre ti! E personagens sábias, ainda por cima.

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