“Minha Querida Inês”, Margarida Rebelo Pinto

capa

PINTO, Margarida Rebelo – Minha Querida Inês, Lisboa, Clube do Autor, 2011

Sinopse: A história trágica de D. Inês de Castro, pela sua universalidade e intemporalidade, é inesgotável. Margarida Rebelo Pinto revela-nos os meandros deste universo fascinante, desmontando todos os passos da vida de D. Inês na semana que antecede um destino inelutável: a sua execução no dia 7 de Janeiro de 1355. Através da perspectiva de D. Inês vamos conhecendo os segredos da alma desta heroína e as maquinações das razões do Estado que determinaram o fim de uma vida mas não do amor.

Uma estreia surpreendente no romance histórico de uma escritora que, pela sua extraordinária capacidade de penetrar no íntimo de cada personagem, dá voz a D. Inês, D. Pedro, D. Afonso IV e a outros protagonistas deste momento inesquecível da nossa História. Despidos das suas máscaras, ficamos a conhecer melhor as suas forças, fraquezas, motivações e desejos íntimos. Novas e surpreendentes revelações deste período único da História de Portugal dão sentido à frase que eterniza o amor de D. Inês e de D. Pedro: “Até ao fim do mundo”.

Opinião: Sempre na primeira pessoa, a autora vai alternando o ponto de vista de Inês de Castro com demais personagens que vão aparecendo, suponho que na tentativa de assim abranger mais conhecimentos do que aqueles que a protagonista teria, ou para não deixar dúvidas quanto às suas suposições.

O tempo presente da narrativa é uma contagem até ao dia da morte de Inês, onde a história dela e de personagens que lhe estão ligadas vão sendo contadas por divagações e memórias sobre o tempo passado. Não correu propriamente bem: a inserção de conhecimentos e/ou contextualização histórica foi praticamente “atirada” para o texto, quebrando a fluidez que este, apesar de tudo, tem durante grande parte da leitura, ao mesmo tempo que em algumas partes Inês parecia não sair do mesmo ponto, incidindo constantemente sobre os mesmo receios, tornando determinadas passagens aborrecidas.

A quase santificação de Inês de Castro é outro ponto que teria sido desnecessário. A autora afirma o seu fascínio de longos anos pela personagem, mas não precisava de o fazer: está por demais óbvio no modo excessivamente virtuoso como a caracterizou, lado a lado com o acumular de defeitos das personagens que em princípio lhe terão sido antagónicas.

Por fim, também o final, em que após a sua morte Inês tem uma rápida visão de uma série de acontecimentos do futuro, não me agradou. Considerei demasiado forçado, tendo sido preferível, caso os quisesse mesmo incluir no romance, fazer uso de uma outra personagem que lhe sobrevivesse.

Uma leitura leve, apropriada a uma tarde de “preguicite”, mas não mais do que isso.

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