“Histórias de um Portugal Assombrado”, Vanessa Fidalgo

capa

FIDALGO, Vanessa – Histórias de um Portugal Assombrado, Lisboa, Esfera dos Livros, 2012

Sinopse: Hoje o Palácio Beau Séjour é ocupado pelo Gabinete de Estudos Olisiponenses, da Câmara Municipal, de Lisboa, mas noutros tempos foi a residência do Barão da Glória, que ainda hoje por lá anda a arrastar grossos volumes de livros e caixotes de documentos, para desespero dos funcionários, que, dias depois, voltam a encontrá-los no exacto local onde haviam procurado. O Barão também é culpado, acusam, pelo tilintar da chávenas em cima das mesas e pelo soar das campainhas da Quinta de São Domingos de Benfica.

No Castelo de Almourol ou no de Bragança, amores incompreendidos deixaram espectros a pairar nas suas torres e ameias. Na Serra de Sintra sobram razões para ter medo, entre casas assombradas e almas que deambulam pelas estradas. No Porto, há espectros a discutir a herança pela calada da noite e apartamentos que, afinal, contra todas as razões lógicas, não estão vazios como aparentam. Em Castro Marim, as mouras ainda andam à solta, e, em Penafiel, os sustos marcam o ritmo dos dias na Quinta da Juncosa, que há séculos foi palco de um crime hediondo. Em Langarinhos, Gouveia, há uma casa inacabada, obra que, por mais que tente, nenhum proprietário consegue finalizar.

Falar de fantasmas, casas assombradas e mistérios difíceis de explicar não é tarefa fácil. Há quem fique com pele de galinha, outros não deixam de esboçar um sorriso trocista.

Opinião: Obviamente quem me ofereceu o livro conhece-me os gostos, mas infelizmente o dito não fez jus a esse conhecimento pela forma como foi trabalhado e escrito. Aqui encontramos um “juntar” de lendas e diz-que-disse que se encontram por todo Portugal, indo desde as lendas de mouras encantadas até às casas assombradas, passando pelos relatos de experiências paranormais narrados por aqueles que as viveram.

Comecemos pelas assombrações: a maioria estava muito bem, mas gastar uma linha a dizer que se ouvem ruídos sem razão e o resto do trecho sobre o edifício em questão contando a sua história, que nada tem de sobrenatural ou misterioso, é colocar palha para burro. Se eu pego num livro destes, não é para saber quem foram os sucessivos donos de uma casa, quais os usos que foi tendo ao longo do tempo, ou por que a decidiram erigir. E convenhamos, ruídos sem razão também no meu quarto os há, e garanto que por lá não anda assombração (fiz um teste da BRAVO sobre isso nos meus áureos catorze anos e deu negativo).

Eu ficaria bem se só estas histórias me tivessem desiludido, mas chegou um momento em que sentia que já me estava a repetir na leitura, tão similar que era. Ou Portugal não tem lendas/pessoas com experiência paranormal suficiente para criar alguma diversidade, ou houve aqui a escolha de expor as básicas. Outras ainda foram um repescar engraçado da minha adolescência, nomeadamente o vídeo daTeresa Fidalgo, que eu insistia ser ficção (bem como o Blairwitch) e colegas insistiam ser real… Neste caso o livro concorda comigo, bem como o jovem realizador que tomou responsabilidade pela curta.

O que mais prejudicou a leitura, no entanto, foi o modo de escrita. Durante a narração das lendas das moiras ainda vá que não vá, mas quando se escrevia sobre experiências e assombrações que se quer deixar pelo menos a possibilidade de serem reais, uma escrita floreada e pejada de pontos de exclamação (sério, cada ponto de exclamação a mais era sentido como um murro no olho. Neste momento estou metaforicamente cega) estraga um pouco a coisa. Uma escrita mais simples e directa teria resultado melhor.

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