“Eu, Maria Pia”, Diana de Cadaval

capa

CADAVAL, Diana de – Eu, Maria Pia, Lisboa, Esfera dos Livros, 2010

Sinopse: “Chegou a minha vez de morrer. Como último desejo peço que me virem na direcção de Portugal, o país que me encheu de alegria o coração de menina e me tirou tudo o que de mais sagrado tinha quando mulher. Olhando para trás, reconheço que a minha vida foi marcada pela tragédia. Vi partir uma mãe cedo de mais, morria de doença e de desgosto por um marido que a traía publicamente. Não me consegui despedir do meu pai, enterrei um marido que, com palavras doces e promessas vãs conquistou o meu ingénuo coração e no final me humilhou com as suas traições, um filho em quem depositava todas as esperanças, um neto adorado, e, por fim, a minha querida Clotilde, irmã de sangue e confidente. Claro que também tive momentos de felicidade. Quando sonhava acordada com Clotilde, deitadas nos jardins do Palácio de Stupigini, com príncipes e casamentos perfeitos, quando cheguei a Lisboa e o povo gritava o meu nome, quando viajava por essa Europa fora de braço dado com Luís, quando brincava no paço com os meus filhos ou quando estendia as mãos para ajudar os mais necessitados, abrindo creches e asilos. Mas mesmo nestas alturas havia quem me apontasse o dedo. Maria Pia a gastadora, a esbanjadora do erário público. A que dava festas majestáticas no paço, a que ia a Paris comprar os tecidos mais caros e as jóias mais exuberantes. Não percebiam eles que assim preenchia o vazio que, aos poucos, se ia instalando no meu coração.”

Diana de Cadaval traz-nos um retrato impressionante de D. Maria Pia, rainha de Portugal. Num romance escrito na primeira pessoa, ficamos a conhecer a trágica vida de uma princesa italiana feita rainha com apenas catorze anos.

Recebida em clima de grande euforia, Maria Pia foi, 48 anos depois, expulsa de um país a quem dedicou toda a sua vida. Morria pouco tempo depois, demente, longe dos seus tempos de fausto e opulência, mas com a secreta esperança de que a morte lhe trouxesse a tranquilidade há tanto desejada.

Opinião: Numa escrita simples e directa que pouco se altera ao longo da narrativa – algo que estranhei, pois trata-se de um relato na primeira pessoa que se inicia na infância e termina na velhice –, “Eu, Maria Pia” conta-nos a história desta rainha portuguesa misturando factos históricos e registos da época com a opinião pessoal da autora sobre Maria Pia, tentando conciliar todas as facetas (por vezes algo contraditórias) desta mulher.

Não é um livro sobre o qual tenha muito a dizer. Os acontecimentos são narrados sem grande desenvolvimento e pormenor, embora seja o suficiente para nos apercebermos deles e do impacto que tiveram sobre a personagem principal e narradora, acontecendo o mesmo em relação às personagens secundárias. Inversamente, não se revelam o suficiente para que consigamos criar algum tipo de sentimento em relação a qualquer das personagens.

É um livro que se lê bem, pela sua pequenez e simplicidade, sem que no entanto desperte qualquer ânsia no leitor em o fazer.

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