“Estrela de Nariën: Sombras da Morte”, Susana Almeida

capa

ALMEIDA, Susana – Estrela de Nariën: Sombras da Morte, [Lisboa], Saída de Emergência, 2010

Sinopse: Num Império onde as avatares da Senhora da Sabedoria são tão respeitadas como o próprio Rei e os cavaleiros são admirados pela sua bravura e honra, a paz propera nas terras do Império dos Homens.

Aheik, um jovem cavaleiro, tem sonhos que o levam para outra era, onde o seu nome é Eogan, marido da guardiã da Estrela de Nariën. A Estrela de Nariën é um artefacto que se julga perdido e cujo poder não tem limites. Se de facto existir e cair nas mãos erradas, poderá até destruir o mundo. Atormentado, Aheik procura compreender o significado dos sonhos.

Do outro lado do Império, Étaín, uma elfo enlouquecida pelo desejo de possuir a Estrela, cria uma aliança com o povo bárbaro das Terras da Perdição. E a partir desse dia a guerra ameaça todo o Império, devastado por sangrentas batalhas contra um povo que mata por matar e destrói por prazer.

Mas Aheik não está sozinho. O destino reserva-lhe as maiores surpresas: o amor, a traição, a amizade… Todo o Império depende de uns poucos heróis, e Aheik tem a sua própria cruzada pessoal.

Opinião: Embora o enredo do primeiro livro da “Estrela de Nariën” não seja extraordinário – pouco tem que o distinga de outros do mesmo género, além de me ter feito chegar à conclusão de que se trata mais de uma introdução à história que a história propriamente dita –, tem um certo agrado, tratando-se do género que me apelaria no início da minha adolescência – o que, atendendo ao público para o qual é dirigido, é uma mais-valia.

Infelizmente, não posso fazer uma abordagem igualmente positiva, ou pelo menos neutral, em relação a outros pontos. O estilo de narração, não sendo propriamente mau, falha na motivação à continuação da leitura, não a incentivando. Os diálogos soaram-me extremamente forçados, parecendo que existia uma maior preocupação em colocar as personagens a “falar bonito e épico” do que a soarem com naturalidade. Nada contra uma prosa mais lírica, a qual aprecio, contudo, neste caso, não foi nada bem conseguida.

Também por variadíssimas vezes notei falhas de pontuação. A importância da pontuação é certa e sabida: dela depende – entre outras coisas – o modo, o tom e o ritmo com que um texto será lido. Ao longo da narração notei a inexistência de vírgulas onde estas faziam falta, maiúscula a seguir a um ponto e vírgula (erro de digitação?), vírgulas em locais que a pausa que estas implicam não se adequava, perguntas sem pontos de interrogação, ou com ponto de exclamação no lugar deste…

Por fim, questiono-me o que terá acontecido durante a revisão do manuscrito. É normal um autor cometer alguns erros de digitação quando escreve, assim como não se aperceber de alguns desses mesmos salafrários escorregadios quando revê, e revê e revê… E é aí que um revisor actua. Todavia, no livro em questão, para além das palavras “comidas” e das palavras repetidas, tornaram-se também evidentes vários erros de digitação, como, por exemplo, “prefeito” em vez de “perfeito”, “agente” em vez de “a gente”, “acompanhamento” em vez de “acampamento”, “inesperdamente” em vez de “inesperadamente”, e por aí fora.

No geral, não gostei o suficiente do livro para arriscar a comprar e ler o segundo, já publicado pela mesma editora. Digo isto com pena, pois apesar de não ter as expectativas particularmente altas quando o comecei a ler – procuro evitar tê-las, embora por vezes se revele impossível –, esperava um pouco mais.

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