“Escritos dos Ancestrais: Campos de Odelberon”, Rodrigo McSilva

capa

MCSILVA, Rodrigo – Escritos dos Ancestrais: Campos de Odelberon, Barcarena, Presença, 2010

Sinopse: A Presença lança um novo autor de língua portuguesa, do género fantástico. Na sua obra de estreia, Rodrigo McSilva recorre a uma multiplicidade de personagens e divindades das mitologias nórdica, celta e indo-europeias, que interagem numa história alternativa em que o mundo é simultaneamente habitado por deuses, raças desaparecidas, heróis míticos e humanos. Até ao dia em que o Ente Uno, o Juiz do Tempo, indignado pela perfídia dos deuses, decide pôr fim a esta realidade e afastá-los uns dos outros. «Que a linha do tempo seja doravante como um punhal, mas com duas faces, esquerda e direita, que jamais se verão». Assim os condenou a uma estéril dualidade. Os mortais habitariam o «gume terrestre», desenvolvendo a ciência e a técnica, mas trabalhando na dúvida e na incerteza, enquanto os deuses e os que os haviam seguido habitariam o invisível «gume de odelberon» numa eternidade imutável. Cada lado ficaria sujeito às leis dos respectivos universos. Havia porém uma vaga esperança, a longínqua promessa de que, ao fim de vinte mil anos, os dois gumes, agora separados se reencontrassem… Esta extraordinária aventura ficou registada pelos inúmeros escribas que ao longo das eras foram registando os seus sucessivos capítulos.

Opinião: O enredo inicia-se quando o assassínio do deus Balder se torna na gota de água que leva o Ente Uno, zangado com as pérfidas “brincadeiras” dos deuses, a fazer a cisão entre o “gume terrestre”, onde habitarão os mortais, e o “gume de odelberon”, destinado aos deuses e àqueles que os desejassem seguir. Logo de início apercebemo-nos da riqueza das mitologias abordadas e explicadas, um dos pontos a favor do livro.

A história prossegue com a exposição da travessia dos deuses e seus seguidores, a sua instalação – não desprovida de dificuldades – no novo mundo, e os primeiros tempos que se lhe seguiram.

A narração segue numa espécie de relato, que provavelmente foi a intenção do autor, mas que despeja a leitura de pormenores e sentimentos que poderiam prender mais a atenção do leitor, chegando a tornar-se monótona, sensação a que a falta de desenvolvimento das personagens não ajudou. No geral, não foi uma leitura que me agradasse.

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