“D. Dinis, a Quem Chamaram o Lavrador”, Cristina Torrão

capa

TORRÃO, Cristina – D.Dinis, A Quem Chamaram o Lavrador, Lisboa, Ésquilo, 2010

Sinopse: «E este foi o melhor rei e mais justiceiro e mais honrado que houve em Portugal desde o tempo do rei D. Afonso, o primeiro»

(D. Pedro, Conde de Barcelos)

  1. Dinis, sexto monarca português, marcou profundamente a consolidação do reino através dos seus quarenta e seis anos de governação. Fundou a primeira universidade portuguesa, substituiu o latim pela língua portuguesa nos documentos oficiais, reformou quase todos os castelos, foi um diplomata de excepção, admirado, inclusivamente pelo Papa, incrementou a agricultura, a pesca e o comércio, amante da poesia e da música, ficou imortalizado pelos seus cantares.

Mas a tragédia também assolou a sua alma, primeiro foi o conflito armado com o irmão, no final da vida, a dilacerante guerra com o seu próprio filho herdeiro. A seu lado, estava uma rainha de excepção, Isabel de Aragão, com a qual nem sempre as relações foram fáceis…

Neste romance, o leitor é conduzido à intimidade de um Rei justo, sábio e poeta. Nunca a esfera íntima de D. Dinis foi descrita com tanto detalhe e faceta humana.

Opinião: Há já bastante tempo que D. Dinis é uma das minhas figuras históricas favoritas – inclusive considero que em vez de “sebastianismo”, Portugal deveria era centrar-se mais num “dinismo”. Ao menos seriam esperanças místicas depositadas em alguém que efectivamente fez alguma coisa pelo país. Naturalmente que por isso as minhas expectativas para este livro foram grandes, e por consequência também a decepção.

Aquilo que eu espero de um livro difere conforme o seu género. O tipo de escrita e estrutura de um romance histórico não é idêntico a uma biografia ou a um livro puramente histórico. Daí o meu desagrado ao pegar em algo que diz claramente “romance histórico” e encontrar um relatório com alguns trechos mais imaginativos pelo meio. E nem me refiro à inclusão algo excessiva das cantigas, que na sua maioria gostei, apreciando o cuidado da autora em fornecer uma explicação para as mesmas, visto que o português da altura difere do actual, mas mesmo à abordagem de uma grande variedade de acontecimentos segundo o método “fez isto a *inserir uma sucessão de terras* na presença de *inserir uma sucessão de nomes*”, ou resumir em meia dúzia de linhas acontecimentos importantes tanto a nível nacional como peninsular que explorados teriam gerado sentimentos bem mais intensos no leitor, em vez da sensação de estar a passar os olhos pelo livro de História.

Em relação às personagens, comentarei apenas sobre o casal real: D. Dinis e a Rainha Santa Isabel. Parece haver uma tendência para retratar um e outro como criaturas perfeitas, e embora D. Dinis tenha escapado a esse estereótipo, sendo-nos apresentado com virtudes e defeitos, o mesmo não acontece com Isabel, cujas atitudes menos dignas são raríssimas, pequenas e no fundo seguidas de arrependimento sincero. A senhora é considerada santa, muito bem, e desde quando são os santos perfeitos? Acima de tudo são seres humanos, torná-la em tal figura de irrepreensibilidade tornou-a irreal ao ponto de eu cerrar os dentes cada vez que a sua personagem “entrava em cena”.

E bonita, claro, que a beleza interior não bastava.

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