“a máquina de fazer espanhóis”, valter hugo mãe

capa

MÃE, Valter Hugo – a máquina de fazer espanhóis, Carnaxide, Objectiva, 2010

Sinopse: Esta é a história de quem, no momento mais árido da vida, se surpreende com a manifestação ainda de uma alegria. Uma alegria complexa, até difícil de aceitar, mas que comprova a validade do ser humano até ao seu último segundo. a máquina de fazer espanhóis é uma aventura irónica, trágica e divertida, pela madura idade, que será uma maturidade diferente, um estádio de conhecimento outro no qual o indivíduo se repensa para reincidir ou mudar. O que mudará na vida de antónio silva, com oitenta e quatro anos, no dia em que violentamente o seu mundo se transforma?

Opinião: Quando me passaram o livro para a mão, disseram-me que se tratava da história de um idoso metido num lar contra a sua vontade, estando ainda em perfeitas condições mentais – o que não ocorria com alguns dos seus colegas. Embora tal fosse um enredo que eu não me importaria nada de ver abordado, desenvolvendo-se as influências que tal situação poderia ter no idoso em questão, cheguei ao fim do livro com a convicção de que não era essa a proposta do autor, nem o tema central do enredo. É verdade que temos um idoso metido num lar contra a sua vontade, mas nem muitos dos que se lá encontram se afastam particularmente da dita lucidez, nem esse parece ser o tema central de desenvolvimento. De que tratou, então, o livro, pelo menos segundo aquilo que me transmitiu a sua leitura? Exploração da psique humana e crescimento sempre presente, ainda que numa fase mais tardia da vida, quer despoletado por memórias, quer por medos, quer pelas relações com os outros, quer pela diversidade de situações ocorridas dentro das quatro paredes de um lar.

E talvez a condução e forma dada a essa exploração tenham acabado por ser os responsáveis pelo meu gosto em relação ao livro, algo que honestamente me surpreendeu. Porquê? Porque a recusa de utilização de maiúsculas é algo que não consigo deixar de criticar – contrariamente ao autor, considero que não se encontram obsoletas, detendo a sua utilidade – e suspeitei que a formatação dos diálogos, inserido no tempo corrido, me iria colocar de pé atrás. Esta suspeita, contudo, não se concretizou, e não foi sem surpresa que me apanhei a acompanhar o enredo com curiosidade e interesse – incluindo os seus diálogos.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s