“A Ilustre Casa de Ramires”, Eça de Queirós

capa

QUEIRÓS, Eça de – A Ilustre Casa de Ramires, Lisboa, Ulisseia, 2006

Sinopse: Nesta obra, Eça conta a história de Gonçalo Mendes Ramires, nas suas relações familiares, no seu convívio social, nos seus entusiasmos e nas suas inexplicáveis reacções.

O romance desenrola-se em dois planos que caminham paralelamente. Num, feito de idealismo, projecta-se o tradicionalismo romântico: romance histórico; no outro, com o sentido do realista, perpassa a vida contemporânea da província. É evidente o contraste entre a nobreza dos feitos guerreiros do romance e a mesquinhez, bisbilhotice, da vida da província. O próprio estilo é diferente.

Opinião: O início desta obra começou por me desiludir um pouco – uma Casa de renome (acompanhada por uma pormenorizada descrição do espaço físico da mesma), um drama familiar romântico que se encontra no passado mas com indícios de ainda não estar terminado, um jantar onde o protagonista discute política… Temi ter uma repetição d’ “Os Maias”. Felizmente, os meus receios desvaneceram-se: “A Ilustre Casa de Ramires” não é a reprodução da tão conhecida obra do autor. Trata-se de um romance independente, onde se ressalva a crítica social, especialmente focada na vida de província.

Creio que grande parte do gosto ou falta dele pela obra dependerá do modo como nos sentimos em relação à personagem principal – Gonçalo Mendes Ramires –, também aquele sobre quem o foco mais cai. Os meus sentimentos em relação ao “Fidalgo da Torre” variavam bastante, pois se as mentiras (“grande imaginação”) que proferia e a covardia inicial me faziam desprezá-lo, a bondade inata que demonstrava – tão natural ao ponto de nem se aperceber dela – logo despertava sentimentos mais positivos. No final, compreendemos que de facto Gonçalo não poderia ser de outro modo.

Quanto à forma escrita, esta varia consoante a narração da novela histórica focada nos antepassados de Gonçalo – que nos é dada a conhecer nos momentos em que o protagonista se decide a escrevê-la – e os acontecimentos do momento presente. Enquanto a primeira me pareceu morosa e aborrecida, a segunda já prendia mais a atenção, em especial com os diálogos e observações irónicas.

O final foi sem dúvida o que mais gostei – e não pude deixar de concordar que, realmente, Gonçalo é Portugal.

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