“O Ano Sabático”, João Tordo

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TORDO, João – O Ano Sabático, Alfragide, Dom Quixote, 2013

Sinopse: Depois de treze anos de vida desregrada no Québec, Hugo, um contrabaixista de jazz, decide tirar um «ano sabático» e regressar a Lisboa, onde espera reencontrar o equilíbrio junto da família. Porém, logo numa das primeiras noites, assiste ao concerto de Luís Stockman – um pianista que se tornou recentemente famoso -, e a almejada paz transforma-se no pior dos pesadelos: Stockman toca um tema inédito que Hugo conhece bem demais, pois é o mesmo que vem escrevendo há anos na sua cabeça… Quando o começam a confundir na rua com o pianista – e a própria mãe lança a dúvida sobre a sua identidade –, Hugo encetará uma busca obsessiva da verdade e do seu duplo, entrando num labirinto de memórias e contradições que o conduzirá a um destino muito mais funesto do que imaginara ao deixar Montreal.

É nessa mesma cidade que Stockman desaparecerá, curiosamente, mais tarde, segundo nos conta o seu melhor amigo – o narrador deste romance – a quem cabe agora desmontar os acontecimentos, destrinçar fantasia e realidade e enfrentar as assustadoras e macabras coincidências que unem, como num espelho, a vida dos dois músicos.

«O Ano Sabático», construído em crescendo e com páginas de tirar literalmente o fôlego, é um magnífico romance sobre a identidade e o outro, mas também sobre o amor fraternal e a amizade que perdura mesmo quando tudo o resto parece ter ruído.

Opinião: Dividido em duas partes (e um epílogo) sem capítulos, a estrutura reforça a sensação de “duas faces de uma moeda” produzida pelo enredo. Na primeira parte temos um narrador heterodiegético a dar a conhecer um músico – instrumentista – falhado que, ao ouvir um músico famoso tocar a melodia que ele próprio tem vindo a compor há anos sem nunca terminar, conclui ser o outro o seu gémeo, morto pouco horas depois do nascimento. Essa percepção é ainda reforçada pelas semelhanças físicas, atestadas por terceiros desconhecidos. Obcecado, persegue essa ideia, procurando compreendê-la e, talvez assim, compreender-se a si próprio. O facto de não o conseguir leva a uma fatalidade que se torna no pontapé para a segunda parte, logo diferenciada pelo narrador, que se torna homodiegético. A perspectiva demonstrada é, agora, a do músico famoso: ao mesmo tempo que se aprofunda a personagem, ele é também colocado na mesma situação de ter uma melodia existente apenas no seu pensamento colocada em pauta pelo outro, o instrumentista falhado. A procura na resolução do mistério é, mais uma vez, a procura de identidade.

Trata-se, portanto, de um romance introspectivo, com um ritmo calmo e bastante parado, que deixa ao leitor a escolha de interpretação entre a loucura das personagens ou o carácter fantasioso do enredo; não são fornecidas respostas, esperando-se que cada um retire a sua. As próprias personagens são apresentadas como parcialmente ficcionais dentro da própria construção, o que não impede a sua bem conseguida caracterização – tanto directa como indirecta. É notável, no entanto, o male gaze em relação às personagens femininas, representadas mais por ideias masculinas sobre o feminino que por outros elementos.

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“O Cônsul Desobediente”, Sónia Louro

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LOURO, Sónia – O Cônsul Desobediente, [Lisboa], Saída de Emergência, 2009

 

Sinopse: A História de Aristides de Sousa Mendes. O homem que, para salvar 30.000 inocentes, desobedeceu a Salazar e foi perseguido. Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes, e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 vidas, ousou desafiar as ordens de Salazar. Cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães. Infelizmente, Salazar, adivinhando as enchentes nos consulados portugueses, proibira a concessão de vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida e judeus. Sob os bombardeamentos alemães, espremido entre as ameaças de Salazar, as súplicas dos refugiados e sua consciência, Aristides sente-se enlouquecer. E então toma a grande decisão da sua vida: passar vistos a todos quantos os pedirem. Salvará 30.000 inocentes mas destruirá irremediavelmente a sua vida.

 

Opinião: Aristides de Sousa Mendes tornou-se num dos seres humanos mais meritórios no percurso de Portugal ao sacrificar a sua carreira e bem-estar pelo grande número de desconhecidos que, fugindo do extermínio, lhe pediu vistos de passagem por Portugal: vistos que foram concedidos, à revelia das ordens expressas do Governo. Sónia Louro volta a pegar no que terá sido a realidade e tece-a em formato de romance, demonstrando grande capacidade de escolha sobre a “personagem” elegida. Como se a decisão que o imortalizou não se bastasse, Aristides levou uma vida capaz de manter o interesse do leitor, e que a autora dá a conhecer, não lhe ocultando também os defeitos, e tomando por base uma pesquisa que se nota no próprio texto, sem necessidade das constantes notas de rodapé, a indicar de onde se adquiriu esta ou aquela informação, e que acabam por se tornar morosas pela sua quantidade, sendo uma interrupção frequente à leitura.

A narrativa não é linear, com os capítulos alternando entre episódios da vida anterior e os momentos de acção em Bordéus que o tornaram conhecido. Apesar de se tratar de um mecanismo que por si só não é negativo, acaba aqui por ter esse efeito, na medida em que é desnecessário à narração, e acaba por lhe criar rupturas. Outro ponto negativo prende-se com a revisão, que deixou passar falhas de pontuação – em particular nos diálogos – e gralhas como uma ou outra troca entre os nomes dos filhos da personagem.

O maior ponto positivo, por outro lado, prende-se com o desenvolvimento gradual das acções em Bordéus: não sendo demasiado apressada nem demasiado lenta, a autora conseguiu uma apresentação realista e emocional do que terá sido uma decisão feita pouco a pouco, com as dúvidas e hesitações que além de humanizarem a personagem, tornam ainda mais louvável a decisão da pessoa.

Trata-se, portanto, de uma leitura que permite um maior conhecimento sobre o homem, não esquecendo que ainda que biografia, não deixa de ser um romance.

“O Defunto”, Eça de Queirós

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QUEIRÓS, José Maria Eça de – O Defunto, [s.l.], Projecto Adamastor, 2013

Sinopse: “Ela ficara sobre o escabelo, as mãos cansadas e caídas no regaço, num infinito espanto, o olhar perdido na escuridão da noite silente. Menos escura lhe parecia a morte que essa escura aventura em que se sentia envolvida e levada! Quem era esse D. Rui de Cardenas, de quem nunca ouvira falar, que nunca atravessara a sua vida, tão quieta, tão pouco povoada de memórias e de homens? E ele decerto a conhecia, a encontrara, a seguira, ao menos com os olhos, pois que era coisa natural e bem ligada receber dela carta de tanta paixão e promessa…

Assim, um homem, e moço decerto bem nascido, talvez gentil, penetrava no seu destino bruscamente, trazido pela mão de seu marido? Tão intimamente mesmo se entranhara esse homem na sua vida, sem que ela se apercebesse, que já para ele se abria de noite a porta do seu jardim, e contra a sua janela, para ele subir, se arrumava de noite uma escada!… E era seu marido que muito secretamente escancarava a porta, e muito secretamente levantava a escada… Para quê?…”

Opinião: Um conto em cinco partes onde o ódio gerado pelo ciúme cego e infundado do vilão leva ao amor entre o casal protagonista, numa reminiscência às tragédias gregas, onde as profecias dos oráculos se concretizavam exactamente ao tentar-se serem evitadas, depois de conhecidas. A principal linha seguida é, no entanto, a dos contos-de-fadas onde o herói em desvantagem (e na ignorância) é auxiliado por uma entidade sobrenatural – neste caso também com um cariz cristão. Esta influência denota-se ainda nas personagens, construídas segundo os ideais primórdios deste género – a mulher bela, pura e inacessível; o herói crente, respeitador, gentil, mas que não recusa também a oportunidade de consumar o seu amor, etc –, e em função do papel que representam.

Apesar de alguma repetição – como que a querer garantir que determinadas ideias ficam bem vincadas no leitor – é, em termos narrativos, um dos escritos mais fáceis de acompanhar do autor. Talvez por não se inserir tanto no realismo, não se nota a mesma ênfase em detalhar ao ínfimo o ambiente e a sociedade envolventes, o que leva a uma narrativa mais enxuta.

Este conto pode ser adquirido gratuitamente aqui.

“História Não Oficial de Portugal”, Luís Almeida Martins

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MARTINS, Luís Almeida – História Não Oficial de Portugal, Lisboa, a esfera dos livros, 2017

Sinopse: Esta História de Portugal é diferente de todas as outras. Conta os factos de forma informal e divertida, desmistificando ideias feitas e traz muitos episódios que estão por contar:

– Viriato não era propriamente português e os Lusitanos não foram os nossos únicos antepassados.

– O «eterno» D. Afonso Henriques muito provavelmente não era filho do conde D. Henrique e, de certeza, não batia na mãe.

– Os portugueses que em 1385 consolidaram a independência, derrotando os castelhanos em Aljubarrota, não passavam de um grupelho de punks (considerados uns aventureiros pelos bem-pensantes) e o próprio D. João I chegou a ponderar se havia de se mudar para o lado do inimigo.

– Não fomos nós que, no início do século XIX, derrotámos os franceses de Napoleão, mas sim os nossos aliados ingleses, que eram mais aliados deles próprios do que nossos.

– O 15 de janeiro de 1920 ficará para sempre na História, pois num só dia foram constituídos 3 governos, que caíram consecutivamente, e um deles durou apenas 5 minutos.

O jornalista Luís Almeida Martins, editor da revista Visão História, depois do sucesso do livro 365 Dias com Histórias da História de Portugal, traz-nos uma obra essencial para percebermos que a História do nosso País é também feita de episódios desconhecidos, caricatos e insólitos e que muitos dos acontecimentos que já conhecemos podem ser vistos a partir de uma nova perspetiva.

Opinião: Com textos curtos, subdivididos dentro de capítulos que mais se assemelham a balizamentos históricos, o autor corre a História de Portugal – e do espaço geográfico que se tornaria num país – desde os dinossauros até aos anos mais recentes. Como é natural e expectável, tal façanha exige que a referida História seja apresentada de modo muito sucinto, focando maioritariamente os eventos mais marcantes, e uma ou outra curiosidade. O tom narrativo é despretensioso e informal, com laivos humorísticos, estando de acordo com a percepção criada tanto pelo título como pela capa. Não é, contudo, imparcial: o entendimento da parcialidade do autor no que respeita aos acontecimentos, e em particular às posições políticas e/ou ideológicas, aumenta gradualmente conforme a leitura se vai aproximando da História mais recente do país. Quer se concorde ou não com o autor – e tanto um como outro acontecem –, considero poder ter havido um maior cuidado neste sentido, atendendo ao carácter da obra. De igual modo, julguei desnecessário o tom “os jovens hoje em dia isto” ou “actualmente a maioria das pessoas não” que vez ou outro dá as caras, tanto pela ideia que transmite de que o autor se auto-coloca acima dos grupos referidos, como por não ter motivos para considerar que assim o seja: de facto os jovens com quem lido frequentemente – e que advêm de circunstâncias diversas – estão longe de um “não-quero-saber”. Será talvez experiência pessoal, mas também este posicionamento do autor o pareceu ser.

Todavia, como foi referido, tanto um ponto como outro ocorre vez ou outra, sendo a maioria da narrativa informativa e agradável, tanto pela informalidade que adopta como pela capacidade de expor sucintamente o que pretende. O modo como o texto se encontra formatado e dividido – em curtas subdivisões – torna também este livro uma leitura fácil de ser estendida ao longo do tempo, permitindo uma página por dia, se tanto, sem perder o fio à meada. Uma mais-valia a quem não lê tanto quanto gostaria pela falta de tempo, aliada à desmotivação que é ter de recomeçar uma leitura por já se ter esquecido do que foi lido anteriormente.

“O Primo Basílio”, Eça de Queirós

O Primo Basílio

QUEIRÓS, Eça de – O Primo Basílio, [Lisboa], Livros do Brasil, 1984

Sinopse: Este “episódio doméstico”, conforme o clas­sificou Eça de Queirós, pretende mostrar a todos, de maneira exemplar, a tese da corrupção da família, vista como uma instituição burguesa, salientando-se a família da média burguesia lisboeta, que tem seus valores fundamentais atacados pelos escritores realistas.

 

Opinião: Luísa não é uma mulher infeliz, nem tampouco casada com um homem por quem não tem afecto. Quando, todavia, Basílio, seu primo e primeiro amor, reaparece na sua vida, num momento em que o marido se encontra em viagem, acaba por ceder ao adultério no que parece ser mais um desejo de aventura – e a “chiquesa” de ter um amante – do que paixão. O sentimento encontra-se presente, quanto mais não lhe seja por uma nostalgia ou um sentir-se desejada, pois de outro modo não cederia aos desrespeitos que, após os momentos de conquista, o primo lhe dedica e que ela reconhece. Mas não é o principal motivo das suas escolhas, e muito menos o mote da acção. As motivações das personagens são de facto mais decadentes – inveja e arrogância de Juliana, a emprega; tédio e falta de empatia de Basílio, o amante – que o usualmente encontrado num triângulo amoroso, o que já de si destaca o enredo. Essas motivações encontram-se, ademais, muito bem desenvolvidos, assim como as restantes facetas e características das personagens, que se tornam no ponto-chave da obra. Tanto as principais como as secundárias mantêm-se fiéis ao longo da trama à descrição que delas é feita, tanto directa quanto indirectamente, jogando umas com as outras numa manipulação cuja consciência varia conforme a personalidade e capacidades de cada uma.

Apesar de não ser uma história feliz – a crítica “realista” perderia uma magnífica machada final caso o fosse – não faltam os episódios de cariz humorístico, gerados a partir de ironias e a roçar a caricatura, chicoteando comportamentos e falsidades tanto da época como intemporais. O próprio drama da inversão progressiva de lugares entre servil e senhora acaba por adquirir um cariz cómico, pois, apesar de agonizante pelo sofrimento de Luísa e pela arrogância de Juliana, gera diálogos e momentos de tensão onde a fragilidade do estatuto obtido pela mesquinhez é salientada.

Inserindo O Primo Basílio no contexto geral do autor, trata-se de uma história cujo enredo se desenvolve mais rapidamente, com maior sucessão de eventos, sem por isso perder desenvolvimento. Também as descrições são menos morosas, facilitando a leitura, com menor florido e detalhes supérfluos. Até ao momento, tornou-se numa das minhas leituras favoritas de Eça.

“A Vida Sexual da Mulher Feia”, Cláudia Tajes

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TAJES, Cláudia – A Vida Sexual da Mulher Feia, [s.l.], Agir, 2008

Sinopse: Num texto muito bem-humorado, a gaúcha Claudia Tajes descreve aventuras e desventuras da mulher feia, desde o tratamento diferenciado que recebe na família e na escola até os relacionamentos amorosos na vida adulta.

Opinião: Com um narrador autodiegético, a estrutura segue o formato (simplificado) de uma tese ou trabalho académico, no intento de narrar uma sequência de peripécias amorosas – umas mais efémeras que outras – que nunca terminam em “bem”, ou pelo menos com a satisfação da protagonista (a mulher feia) no campo do romance. Seja porque o ele do momento termina com a relação semi-escondida ao não precisar mais (de passar o tempo, de sexo fácil, etc), seja porque ela tem auto-estima suficiente para não aturar abusos de quem se coloca demasiado à vontade por achar – ainda que isso raramente seja dito ipsis verbis – que ela tem é sorte por haver alguém que a queira. No final concluiu-se que o “azar” é geral e não restringido à mulher feia, incluindo-se relatos ditos reais de mulheres, sem distinção de beleza, classe social ou riqueza, que em nada ficam atrás das desventuras fictícias.

É uma leitura leve e que não exige muito, que ajuda a espairecer, mas não vai mais além, nem me parece que tenha esse objectivo. A narrativa segue também essa função, não sendo nada de extraordinário, mas não tendo também falhas crassas, seja no estilo, seja na gramática – ressalto-lhe apenas o uso desnecessário de parágrafos fora da sua função.

Não é uma comédia que me tenha feito gargalhar, ou onde me tenha apegado às personagens – caracterizadas apenas o suficiente para se tornarem distintas umas das outras e cumprirem a sua função narrativa. De igual forma, não é uma comédia que me tenha aborrecido. Trata-se, meramente, de uma ficção mediana.

“Os Espiões”, Luis Fernando Verissimo

os espiões

VERISSIMO, Luís Fernando – Os Espiões, [s.l.], Alfaguara, 2009

Sinopse: Luis Fernando Verissimo constrói, neste livro, uma alegoria híbrida de mitologia, humor e mistério. Ainda se curando da ressaca do final de semana, na manhã de uma terça-feira, o funcionário de uma pequena editora recebe um envelope branco, endereçado com letras de mãos trêmulas. Dentro, as primeiras páginas de um livro de confissões escrito por uma certa Ariadne, que promete contar sua história com um amante secreto e depois se suicidar. Atormentado por sonhos românticos, esse boêmio frustrado com seu casamento, e infeliz no trabalho, decide tomar uma atitude – descobrir quem é Ariadne e, se possível, salvá-la da morte anunciada. Na mitologia grega, ela ajuda Teseu a sair do labirinto. No entanto, o autor cria uma Ariadne ao contrário, que vai enfeitiçando o protagonista e seus amigos de bar, os espiões deste livro.

Opinião: Quando o editor de uma vanity recebe o primeiro capítulo de uma obra que, apesar dos erros ortográficos, lhe despoleta o interesse numa vida que tem como falhada, é despoletado também o enredo. Segue-se um mistério policial em povoação pequena, onde a investigação é levada a cabo por um grupo de homens estarolas, fazendo uso tanto dos capítulos que vão chegando quanto das informações que vão conseguindo in loco. Estas informações chegam ao narrador, o editor, por vias de terceiros, estando portanto limitadas tanto à visão desses terceiros, como são depois moldadas à livre interpretação feita pelo narrador, que se vê como o herói salvador de uma pura donzela romanesca.

Ao longo da leitura nota-se a exímia comédia caricatural tanto ao meio editorial quanto à acção populacional em meios pequenos, assim como à tendência de tirar conclusões erróneas por puramente se ter em conta a própria percepção, ignorando a mais geral. Contribuem também para esta caricatura as personagens, que apesar de à primeira vista parecem apenas um conjunto de criaturas excêntricas pelo mero objectivo da comédia, acabam por ir relevando o seu propósito e demonstrando uma alteração de atitudes e comportamentos em consequência dos eventos.

A conjugação de tudo o acima indicado gera uma leitura crítica e divertida, com o final que se esperaria.